"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

12.12.07

Associação Comercial da Guarda quer ligar comerciantes e população

Cerca de 600 crianças das escolas de oito concelhos do distrito são as protagonistas da campanha de Natal 2007, organizada pela Associação de Comércio e Serviços do Distrito da Guarda (ACG). “Natal com Arte” vai reunir, a partir de sexta-feira e até dia 24, trabalhos de desenho, redacção, ilustração e poesia de crianças e jovens de 40 escolas, desde o ensino pré-escolar ao secundário, numa campanha onde serão premiados os melhores e os mais votados.
Os trabalhos serão expostos em molduras de acrílico, em 350 lojas do comércio tradicional dos concelhos da Guarda, Sabugal, Celorico da Beira, Almeida, Pinhel, Fornos de Algodres, Figueira de Castelo Rodrigo e Manteigas. A ideia é fazer com que as crianças levem pais e amigos a percorrer as várias lojas de comércio tradicional em busca dos seus trabalhos, de forma a serem votados, através de um boletim, e saiam vencedores. Segundo o presidente da ACG, Paulo Manuel, a campanha “tem a missão clara de estimular as compras neste período de natal, no comércio de rua, que sabemos que passa por momentos de grande dificuldade. Este é um projecto que serve para estimular e acarinhar um pouco a dinâmica que se pretende que exista junto dos empresários do comércio”.
Segundo Aristides Moreira, colaborador da ACG e gestor urbano de Fornos de Algodres, “isso faz com que as pessoas se desloquem ao comércio tradicional, conheçam os trabalhos dos jovens e, ao mesmo tempo, conheçam o comércio e haja uma interacção muito grande entre lojistas e população, num clima de Natal”. O responsável afirma que não se pretendeu “dar o cunho de concurso”. “O prémio é mesmo moral, mas a ACG preparará uma surpresa no dia da entrega dos prémios”, referiu, acrescentando: “É um concurso simplesmente no sentido de estimular os trabalhos artístico e escolar”.
A campanha é apoiada através de uma candidatura da ACG ao programa Modcom – Medida C e pela parceria dos gestores urbanos dos concelhos de Fornos de Algodres, Almeida e Manteigas.

in Diário XXI, Susana Margarido

Serra da Estrela tem «que se afirmar pela diferença»

No colóquio “Perspectivas de Desenvolvimento do Interior Serrano”, organizado pelo jornal Porta da Estrela no âmbito da comemoração dos 30 anos da sua publicação, os conferencistas Joaquim Luís Alcoforado, João Luís Fernandes e Pedro Carvalho, todos professores da Universidade de Coimbra (UC), conjugaram a sua perspectiva pessoal sobre o tema com as estratégias e programas de acção previstos no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). O debate teve lugar no auditório da Escola Profissional da Serra da Estrela, em Seia, no passado dia 1 de Dezembro, e acolheu uma vasta plateia de participantes muito interessada em reflectir sobre o desenvolvimento do Concelho e da Região.

Joaquim Luís Alcoforado, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC, que desempenhou as funções de Delegado do IEFP do Centro entre 2003 e 2005, abriu a sessão tratando o tema “Educação e Recursos Humanos”. Começou por convidar o público a pensar sobre «a encruzilhada em que nos situamos neste momento no que respeita à Educação e Formação», acrescentando: «Se calhar, a encruzilhada iniciou-se mais ou menos nestes termos: em 2000 Portugal presidia também à União Europeia e realizou-se em Lisboa uma conferência que foi particularmente dirigida a estas questões da Educação e dos Recursos Humanos. Na altura, foram definidas algumas metas e algumas finalidades ambiciosas. Disse-se que a União Europeia (UE) ambicionava ter uma economia baseada no conhecimento e isso só se conseguia se investíssemos de forma integrada, concertada e continuada na educação e na formação de recursos humanos».
As metas impostas pela UE eram então as de que «85 por cento dos jovens europeus tivessem uma formação de nível secundário até ao ano de 2010. Depois, era fundamental investir na qualificação dos recursos humanos dos trabalhadores europeus. E aí começavam os problemas para Portugal, que tinha cerca de 45 por cento dos jovens (dados do Censos de 2001) a abandonar o sistema educativo sem concluir o secundário», referiu o docente da UC, que sublinhou ainda que «as qualificações se baseavam essencialmente em dois grandes pilares: sistemas educativos e de formação que pudessem permitir às pessoas ter um diploma e convenções colectivas de trabalho que dessem uma dimensão social ou socioprofissional a estes diplomas».
Luís Alcoforado disse também que Portugal «esteve sempre muito limitado nos sistemas educativos que pudessem contribuir para a obtenção de diplomas profissionais. Por outro lado, nós nunca tivemos sérias convenções colectivas». Assim sendo, «continuávamos com problemas estruturais e não tínhamos qualificações que se comparassem minimamente com os nossos parceiros. Tínhamos níveis de escolaridade baixíssimos e tínhamos principalmente índices de produtividade que eram muito mais baixos que os dos nossos parceiros, na altura a 15. Hoje, a 27, estamos um pouco mais acima, mas estamos a dois terços da média comunitária», frisou.
No que respeita ao QREN, referiu que «será mais uma grande oportunidade para nós transformarmos as pessoas e os sistemas produtivos, mas também para transformarmos as empresas, e criarmos cidades, vilas e aldeias educadoras; e se criarmos em simultâneo desenvolvimento cultural, social e económico». Disse também que este instrumento financeiro, que vai estar disponível até 2013, do ponto de vista da formação «estabelece dois grandes objectivos: uma formação de dupla certificação, que leve um milhão de activos portugueses a aumentar o seu nível de escolaridade em simultâneo com o seu nível de qualificação profissional; o segundo objectivo tem em vista aproximar a formação dos contextos de trabalho».


João Fernandes considera a água um valor estratégico e ambiental decisivo

João Luís Fernandes, geógrafo e professor da Faculdade de Letras da UC, considera o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) «um dos mais carismáticos à escala nacional e até mesmo internacional», por ter uma «imagem muito forte», sendo, por isso, uma área muito procurada, não apenas por turistas que procuram a neve, mas também, por exemplo, por geógrafos, geólogos ou por especialistas do território, «que vêem na Serra da Estrela aquilo que não encontram noutros lugares». O investigador referia-se concretamente à geomorfologia glaciar, cujos traços «estão bem marcados neste espaço; e é preciso acarinhá-la, sublinhando de forma muito forte esta qualidade».
Intervindo no âmbito painel “Ambiente e Desenvolvimento Territorial”, João Luís Fernandes adiantou que desde 1986 – ano em que Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE) – «a grande aposta tem sido a rede das rodovias, o que tem levado a uma reorganização do mapa de Portugal». Considerou que o desenvolvimento não ocorreu ao longo dos eixos mas «nos pontos de intersecção» dos IC’s, IP’s e auto-estradas «e que é no Interior que encontramos algumas situações de maior depressão socioeconómica, que de certa forma nos tem conduzido a um discurso da valorização pela diferença». «Como não estamos nestes eixos estruturantes, não somos um desses nós importantes de concentração das densidades de poder político, de poder económico, que estão muito próximos um do outro. Temos, pois, que nos afirmar pela diferença», referiu o investigador, que destacou o património, a paisagem e o ambiente, «que nos é apresentado quase como uma “national equity” vendável; mas temos que encarar o problema de outra forma», alertou.
João Fernandes aproveitou também a ocasião para apresentar pela primeira vez em público alguns elementos de um estudo que uma equipa constituída por investigadores da sua Faculdade e de outras Universidades realizou em Loriga, freguesia do nosso Concelho, estudo esse elaborado junto dos mais jovens. «Mostra-nos que o ambiente, antes de ser uma mercadoria vendável para o exterior, deve ser uma mais-valia para quem aqui vive».
Um dos resultados desse inquérito, que foi realizado junto de 100 alunos da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Dr. Reis Leitão, «é extremamente significativo», porque quando foram questionados sobre onde queriam desenvolver o seu futuro, «80 por cento dos jovens disseram-nos que pretendem sair e desenvolver as suas actividades fora desta região», algo que passa, afinal, por «reconstituir ciclos migratórios que já estão constituídos». Outro dado preocupante é o de que esses jovens que pretendem partir, nomeadamente para a Área Metropolitana de Lisboa, onde têm familiares, apontam como principais motivações da sua decisão o emprego e o lazer.
Curiosamente houve uma resposta que não surpreendeu os investigadores. Cinquenta por cento respondeu que não gosta das paisagens ardidas, adiantando que os incêndios «são uma violência para a nossa identidade e para a imagem do lugar onde nós habitamos». «Portanto, antes de pensarmos num ambiente para viver, temos que o fazer é bem, pois há que pensar também no ambiente para as populações residentes, porque é nelas que reside o futuro destas regiões». Por outro lado, o estudo mostra que os jovens são també, extremamente sensíveis à água como valor estratégico e decisivo para o século XXI.
Não estranhando o comportamento demográfico de Loriga, até porque «acompanhou, em termos relativos, a dinâmica demográfica do território continental até aos anos 40/50», alertou, contudo para o seguinte facto: «Desde aí tem sido um afastamento progressivo que tem a ver com toda a crise industrial». E João Fernandes refere que no seu entender a “salvação” e a confiança da região passam pelo Turismo. Contudo, sublinha que este discurso de «solução para todos os problemas não pode ser assim se não mudarem algumas questões estruturais», nomeadamente no que toca à gestão do PNSE.
«Um dos problemas de despovoamento do Interior Serrano tem a ver com a perda de actores e de agentes de desenvolvimento. E é aqui, com muita pena minha e garantidamente de todos, que uma instituição que poderia, de facto, ser um vector de desenvolvimento, como o é em muitos países, acaba por ser neste quadro legal uma oportunidade que não se tem. O que falta aqui nesta Serra da Estrela é a união de peças geográficas que têm problemas comuns e o que lamentamos é que existem instituições que poderiam fazê-lo, e que unem de facto este território serrano, e por modos de funcionamento do Estado não tem efectivado esse papel», critica.
O investigador aproveitou para apresentar um exemplo de sucesso de parques naturais regionais franceses, «que são um vector de desenvolvimento local, um vector de afirmação de economias locais, de fixação de população, parques esses cuja gestão não tem rigorosamente nada a ver com o das áreas protegidas em Portugal». Nos parques franceses «tudo parte de uma Carta do Território de longo prazo que é um Plano Estratégico consensual, trabalhado por empresas turísticas, pelas entidades políticas locais e por representantes dos residentes».
A outra questão que preocupa João Fernandes tem a ver com a gestão dos parques naturais e com a nova lei orgânica do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, porque «os parques naturais vão ser geridos menos à escala local e mais à escala regional». Recorde-se que o PNSE já está a ser gerido com as áreas protegidas do Centro e do Norte do Alentejo, «o que é um afastamento» em relação ao modelo francês.


Defender a marca Serra da Estrela

O geógrafo e professor da Universidade de Coimbra criticou também o facto de a marca Serra da Estrela poder vir a ser integrada na Região de Turismo do Centro (RTC). «Não é admissível que se dilua uma imagem como a da Serra da Estrela numa hipotética RTC», até porque a Estrela é «um território com uma imagem muito forte e esta imagem não pode ser diluída em áreas sem identidade».
Sublinhou que a «única ligação» que Coimbra tem à Serra da Estrela é o Mondego. Nesse sentido, sendo a Serra um dos destinos turísticos mais procurados no País e onde nascem os dois mais importantes rios portugueses – Mondego e Zêzere, com este a abastecer a população de Lisboa –, propôs que seja criado um “cluster” da água, pelo facto de a Serra possuir este «grande recurso do século XXI». «Uma das maiores riquezas da Estrela é a água, que tem um dos maiores reservatórios hídricos da Península Ibérica. Estamos a falar de uma Serra onde nascem os dois principais rios portugueses e cuja qualidade da água pode ser controlada por nós; e não acontece o mesmo com o Guadiana, com o Tejo ou com o Douro», evidenciou.


Pedro Carvalho apela no sentido de que se execute uma maior e melhor preservação do património cultural

O arqueólogo Pedro Carvalho entende o património cultural como «um vector de desenvolvimento local». Ou seja, «não é uma panaceia, não é uma solução que resolve tudo, mas pode ajudar, sobretudo em regiões do Interior como a nossa, com perda preocupante de população».
Este professor da Faculdade de Letras das UC, que falava no âmbito do painel “Património e Cultura”, salientou que o QREN define para a valorização económica dos territórios menos competitivos a «aposta dos recursos endógenos com mais potencialidade de exploração», nomeadamente o património histórico, cultural, natural e arquitectónico «considerado de grande valia susceptível de alicerçar dinâmicas económicas e de valorização do território e em torno do qual faça sentido construir uma estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo», destacando também os investimentos a realizar no domínio da Cultura, particularmente os relativos à salvaguarda e valorização do património cultural e às redes de equipamento culturais.
O investigador sublinhou que a força desta região «é o património natural diversificado com qualidade paisagística e valia ambiental, articulado com o património histórico e arquitectónico, com a identidade cultural e os produtos regionais com tradição e qualidade». Como fraquezas, o QREN diagnostica a fraca acessibilidade intra-regional, isolando o Interior e, no seu entender, «a dificuldade em estabelecer parcerias, quer sejam intermunicipais ou entre o público e o privado».
Ao apresentar várias imagens da Serra, referiu que os concelhos serranos poderiam explorar «a marca dos Lusitanos, algo mítico que está relacionado com a nossa nacionalidade, com as nossas raízes, mas é uma marca que não tem sido tratada e explorada nesta perspectiva. Aliás, arriscamo-nos a perder aquilo que ainda resiste destes nossos antepassados se não adoptarmos atempadamente medidas que protejam os povoados que ainda subsistem nas encostas da Serra e que poderão ter sido ocupados por estes povos há mais de dois mil anos». Pedro Carvalho fazia referência às antas, às covas e caixões da Moura, às estradas romanas, «património muitas vezes esquecido e que podiam ser factores de desenvolvimento».


Debate animado

Depois das intervenções destes especialistas, e sob moderação de Albano Figueiredo, director do PE, foram vários os presentes que retomaram alguns dos principais aspectos trazidos à discussão, num debate muito empenhado e que, no seu conjunto, ocupou cerca de 2 horas e 30 minutos.
Preocupações com o desenvolvimento económico do Interior serrano e com a defesa do património histórico e ambiental foram os elementos mais focados por uma plateia onde se encontravam variadíssimos senenses, nomeadamente políticos, professores, advogados, engenheiros, operários e técnicos especializados, entre outros, todos leitores assíduos do nosso jornal.

in Porta da Estrela

9.12.07

O caminho do precipício


Portugal é conhecido por se colocar na parte cimeira das listas dos países onde existe mais corrupção. Possivelmente a corrupção em Portugal não é tanto a da compra de grandes favores, mas é sem dúvida a que resulta do pequeno favor, do compadrio, do afilhado, da cunha, da pequena influência. O caciquismo do final da monarquia e do início da República não desapareceu, só se refinou e adaptou às novas realidades.
Nós não abandonámos há tanto tempo como se pensa uma sociedade de servos e senhores. Uma boa parte da população portuguesa continua a manter intactos alguns hábitos da sociedade servil. É isso que explica que muita gente do povo se não sinta bem se não oferecer umas garrafas de tinto, o whisky velho, o cabrito, a perdiz… ao médico que se limitou a tratá-lo com profissionalismo e respeito. As professoras e os professores, sobretudo os do primeiro ciclo a trabalhar em aldeias, conhecem bem esta realidade. Quanta quinquilharia pavorosa não têm os educadores e professores de aceitar com um sorriso de embaraço e simpatia.
Na sociedade portuguesa a corrupção é particularmente pesada na esfera do emprego. Uma boa parte dos portugueses têm empregos adquiridos através do favor, da cunha, do amigo, do familiar, da pequena influência. Estudar a natureza das relações entre os trabalhadores dependentes de uma Câmara Municipal, por exemplo, ajuda a perceber o que somos e o que vai por aí. Somos bombeiros, maqueiros da ambulância, árbitros de futebol ou trabalhamos num centro de saúde porque temos um parente ou um amigalhaço bem colocado no meio.
A direita passa o tempo a pregar a bondade do mercado e a lisura das relações de trabalho no sector privado. Dizem que o mercado é exigente e não contemporiza com os favores. Ou se é bom e singra-se na carreira ou o mercado elimina. Nada de mais errado. Pelo menos em Portugal não se arranja um emprego no sector privado por se demonstrarem especiais aptidões para a função. Os filhos, os sobrinhos, os enteados, as noras, os cunhados, a prima do amigo… e por aí adiante, estão à cabeça da lista de candidatos a qualquer emprego com algum interesse.

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25.11.07

Chegou a hora dos TOCs da região!

A redução da tributação de IRC na região está a trazer muitas empresas para a Beira Interior.
Todos sabemos que a primeira intenção destes novos empresários locais é apenas beneficiar da redução da carga fiscal, não tendo no imediato outros objectivos.
No entanto, os valores praticados pelos diferentes TOCs (Técnicos Oficiais de Contas) na região chega a atingir um terço dos valores correspondentes nas áreas metropolitanas, motivo pelo qual acaba por ser o primeiro serviço que esses empresários contratam na região.
Resta-nos saber quanto mais sectores saberão aproveitar esta oportunidade.

19.11.07

A «última oportunidade» da região Centro

A Plataforma Logística também está contemplada no QREN

A região Centro é a segunda mais atrasada «do país e da Europa dos 15», alerta Alfredo Marques. O presidente da Comissão de Cooperação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC) participou, na última quinta-feira, na reunião extraordinária da Assembleia Municipal da Guarda sobre o Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), que estará em vigor até 2013, e avisou que esta será a «última oportunidade» para desenvolver o Centro do país.

«Devíamos tomar este pacote de fundos estruturais e fazer dele como se fosse a última oportunidade de termos à disposição um envelope financeiro de grande volume e dar um salto decisivo para ver a nossa região a par da média nacional e, depois, da média europeia», afirmou aos deputados. Alfredo Marques lembrou ainda que a região Centro «é a segunda mais atrasada no contexto nacional e na Europa dos 15», por isso o QREN é uma oportunidade que «não pode ser desperdiçada». Nesse sentido, não poupou críticas ao aproveitamento dos fundos dos três últimos Quadros Comunitários: «O mais dramático é que nem sequer conseguimos completar algumas redes básicas, como de abastecimento de água e saneamento», sublinhou. O presidente da CCDRC revelou depois os montantes do QREN – 21 mil milhões no total –, sendo que a região Centro vai dispor de cerca de cinco mil milhões de euros durante os próximos sete anos. Dinheiro a aplicar preferencialmente em «três grandes prioridades»: a formação de recursos humanos, a competitividade e a valorização do território nacional.

Nesta sessão os deputados municipais ficaram ainda a conhecer o Plano Estratégico da Comurbeiras, a candidatar ao QREN, que contempla 550 projectos repartidos pelos 12 municípios da Comunidade Urbana das Beiras, num investimento de 900 milhões de euros. Nesse documento a Guarda incluiu um conjunto de 31 projectos relacionados com acessibilidades, turismo, saúde e património histórico e cultura, entre outros. Os destaques vão para a criação de uma clínica bio-climática, um parque de tecnologia logística, a implementação de uma rede de transportes limpos, um museu da água e um pólo de investigação da Faculdade de Medicina da Universidade da Beira Interior. Para Joaquim Valente, presidente da Câmara da Guarda, este «é um plano ambicioso, que não se esgota no QREN, que será de acção para todo o conjunto de municípios» da Comurbeiras.

Mas este Plano Estratégico não agradou a todos. Da bancada social-democrata, Ricardo Neves de Sousa acusou o município guardense de «uma total e gritante falta de estratégia», ao contrário de cidades vizinhas, como a Covilhã. Já Álvaro Estêvão, do CDS/PP, considerou «de impacto duvidoso no desenvolvimento regional» os projectos previstos no plano. No distrito da Guarda integram a Comurbeiras os concelhos de Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Trancoso e Sabugal, a que se juntam a Covilhã, Penamacor e Belmonte, do distrito de Castelo Branco.


O Interior

12.10.07

Descoberto tesouro romano do século IV

Um tesouro romano do século IV d. C., com mais de 4500 moedas, foi encontrado no sítio arqueológico do Vale do Mouro, no concelho de Mêda, distrito da Guarda. Falta garantir um local adequado para guardar esta descoberta até que seja incluída num museu.
Um tesouro do século IV foi descoberto no Concelho de Mêda. Os arqueólogos que trabalham na escavação do Vale do Mouro foram brindados com mais de quatro mil moedas de cobre e bronze.

O achado aconteceu na passada quinta-feira, último dia da campanha de escavações que começaram em Julho.

O arqueólogo responsável pelas escavações, António Sá Coixão, disse à TSF que as moedas de cobre e bronze terão pertencido a um ferreiro que as escondeu com medo dos povos bárbaros que estavam a invadir o império.

O arqueólogo referiu que quem escondeu o «tesouro» executou «um alinhamento de pedras, colocou as moedas no interior de um saco de linho», deitou «uma camada de terra» e, por cima, disfarçou com uma foice, uma picareta, argolas para lareira, duas chaves, e mais terra, para as pessoas pensarem que era uma tulha de ferreiro».

Ou seja, o dono das moedas enterrou-as no local, mas depois terá morrido e já não as desenterrou, tendo elas permanecido escondidas até agora.

O arqueólogo assegura que recebeu a garantia da câmara de Mêda para construir no local do achado um museu para expor estas moedas de cobre e bronze, que até lá vão ter que passar por um processo de limpeza e conservação desconhecendo-se ainda onde vão ser armazenadas.

in TSF

2.10.07

“Vivências Sexuais dos Jovens da Beira Interior”

Um pertinente estudo da autoria de Patrícia Brancal.
Em suma, se não são tomadas iniciativas para alterar o estado de "ignorância sexual" da população juvenil da Beira Interior, não ficará a dever-se à falta de informação mas sim à falta de vontade (aliás demonstrada durante o estudo) dos decisores sobre a matéria.

Fica por isso, e sem reservas, a classificação de 4 valores (medíocre) para os Conselhos Directivos das escolas contactadas.

in Kaminhos

21.9.07

Guarda sem carros no Centro Histórico

No próximo sábado, 22 de Setembro, para assinalar o Dia Europeu sem Carros, a Câmara da Guarda vai proceder ao corte de trânsito, no Centro Histórico e nas ruas do centro da cidade. De acordo com a informação da autarquia “a rua Salgado Zenha vai ter dois sentidos, de forma a facilitar o tráfego automóvel nesta zona”. A zona de São Francisco, o Teatro Municipal da Guarda e a zona envolvente do cemitério, são algumas das alternativas para o estacionamento dos automóveis, nesse dia.
Recorde-se que a Câmara da Guarda é uma das cidades aderentes à Semana Europeia da Mobilidade, que teve início a 16 de Setembro, e que este ano tem como tema “venha viver connosco as ruas da nossa cidade”. A semana tem sido marcada por diversas actividades repartidas pela Galeria do Paço da Cultura, Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda, Praça Velha, Parque da Saúde e Alameda de Santo André.
A autarquia adianta que “a medida permanente a implementar neste ano será mais um trilho do projecto Rotas Natura”, tendo sido marcado um percurso pedestre urbano com o objectivo de dar a conhecer as árvores mais emblemáticas da cidade, “os nossos ‘Gigantes Verdes’ as árvores com as quais partilhamos o nosso espaço urbano e que pintam de verde as ruas da nossa cidade”.
No distrito, apenas a Guarda aderiu, em simultâneo, à Semana Europeia da Mobilidade e ao Dia Europeu sem Carros. Na listagem divulgada, Celorico da Beira aparece como município apoiante do Dia Europeu sem Carros e Manteigas como município apoiante da Semana Europeia da Mobilidade.
A Semana Europeia da Mobilidade foi lançada, em 2002, em Bruxelas. Desde então, os cidadãos europeus podem gozar de uma semana inteira de eventos de sensibilização / consciencialização sobre um tema anual relacionado com a mobilidade.
A campanha “Na Cidade sem o meu Carro!” teve início em França, em 1998. A Comissão Europeia passou a adoptá-la a partir de 2000, através da criação do “Dia Europeu sem Carros” – dia 22 de Setembro – com o objectivo de apoiar o desenvolvimento de cidades limpas, onde os transportes públicos satisfaçam as necessidades individuais dos cidadãos.
As Nações Unidas pretendem lançar o Dia Mundial sem Carros, criando um órgão de cooperação internacional, que preste serviços de consultoria sobre políticas e aspectos operacionais relativos ao planeamento do Dia sem Carros. Este órgão monitorizará os eventos e experiências do Dia e será o Centro Internacional de Intercâmbio de Informação para aprendizagem e troca de ideias.

in Jornal A Guarda