Há uns anos havia na região de Sevilha um conjunto de cerca de 140 empresas de torneiros mecânicos. Houve alguém que disse: vou orientá-los.
Falou com eles e perguntou: quem quer ter formação e passar a fabricar aquilo que eu disser que é necessário? Todos aceitaram.
Pouco a pouco as fábricas que faziam parafusos passaram a fabricar porcas com especificações rigorosas; outras que faziam torneiras, passaram a fabricar tubos também com especificações rigorosas. E todos juntos, passaram a fabricar um avião.
Hoje o Parque Aeronautico Aeropolis de Sevilha é um dos três pontos de fabricação do Consórcio EADS (vulgo Consórcio Airbus) e exactamente aquele de onde o avião sai a voar.
in TheStarTracker, José António Silva e Sousa
"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"
15.6.08
Construir o desenvolvimento
Dossier:
Desenvolvimento Local,
Empreendedorismo,
Globalização
1.6.08
O que eu quero ser quando for grande

Carlos Tê / Rui Veloso
Andava eu na quarta classe e fiz uma redacção
Sobre o que eu queria ser um dia quando crescesse
Quero ser um marinheiro, sulcar o azul do mar
Vaguear de porto em porto até um dia me cansar
Quero ser um saltimbanco, saber truques e cantigas
Ser um dos que sobe ao palco e encanta as raparigas
A setôra chamou-me ao palco e deixou-me descomposto
Ó menino atolombado, que gracinha de mau gosto
Lá fiz outra redacção, quero ser um funcionário
Ser zeloso ter patrão, deitar cedo e ter horário
Ser um barquinho apagado sem prazer em navegar
Humilde e bem comportado sem fazer ondas no mar
A setôra bateu palmas e deu-me muitos louvores
Apontou-me como exemplo e passou-me com quinze valores
13.5.08
"Guru" da economia criativa diz que Portugal tem sido travado por uma "mentalidade antiquada"

O "guru" da economia criativa, Richard Florida, considerou hoje que a "mentalidade" tem sido o um travão ao desenvolvimento deste modelo em Portugal e apontou como principais constrangimentos as barreiras à tolerância e à liberdade de expressão individual.
Richard Florida esteve hoje, em Lisboa, para apresentar as suas noções sobre o desenvolvimento das cidades criativas, identificando os três T`s (Tecnologia, Talento e Tolerância) como factores determinantes para ascender ao "ranking" das mega-regiões: regiões que acolhem actividades económicas em larga escala e geram a maior percentagem de actividade económica e inovações científicas e tecnológicas, a nível mundial.
Dos 191 países do mundo, só existem 40 mega-regiões que impulsionam a economia mundial: representam um quinto da população, dois terços do rendimento económico mundial e mais de 85 por cento da inovação global.
A Grande Lisboa está em 33º lugar na lista encabeçada pela Grande Tóquio, mas poderá ir mais longe, segundo o economista norte-americano.
"A única coisa que vos está a travar é a mentalidade. Portugal tem sido aprisionado por uma mentalidade antiquada", declarou à Lusa, à margem da conferência organizada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e pela Ordem dos Economistas.
Richard Florida antevê um futuro promissor para Lisboa, que já está em fase de transição e atrai classes criativas, mas salientou que é preciso valorizar mais a tolerância e a liberdade de expressão individual ("self-expression").
Entre as vantagens competitivas, indicou a cultura e a autenticidade e enalteceu o clima e a arquitectura histórica como factores de atracção numa sociedade que tende a favorecer a multi-localização.
"Há pessoas que vivem metade do ano num país e outra metade noutro. Devia ser aproveitada essa capacidade para atrair pessoas em part-time", sublinhou, acrescentando que a capacidade para falar línguas é outra vantagem competitiva.
"Hoje, toda a gente falou em inglês. Isso cria um ambiente propício para a comunicação", disse.
Richard Florida é autor do best-seller "The Rise of the Creative Class"(A ascensão da classe criativa) e lançou recentemente "Who`s Your City" (Quem é a tua cidade)onde sugere que a escolha do lugar onde vivemos pode ser uma decisão tão importante como escolher um parceiro ou um emprego.
O economista advoga o surgimento de uma classe criativa, associada a sectores com grande capacidade de inovação, e associa o desenvolvimento e êxito das cidades à sua capacidade de atrair esta classe emergente.
Tudo se passa numa sociedade em que o crescimento económico já não é sustentado pela criação de postos de trabalho, nem pelo desenvolvimento de "clusters" suportados pela indústria tradicional ou pelas tecnologias de ponta.
"Eu acreditava nestes modelos, mas comecei a repensar as causas do crescimento económico e da regeneração. Quis perceber porque se escolhem determinados locais para viver e trabalhar", contou.
O investigador defendeu que atravessamos uma transição para uma nova economia e sistema social caracterizados não pelos factores físicos de produção, mas por factores mentais.
"Na economia pós-industrial, o principal contributo são as ideias, o trabalho mental. O impulso humano para criar é a chave para a inovação económica", afirmou.
O desenvolvimento deste modelo requer, no entanto, cidades que promovam a tolerância, a diversidade, a abertura e a inclusão.
Richard Florida acredita que as características das comunidades que as tornam mais competitivas e prósperas são a capacidade de liderança tecnológica, de gerar talento e a ausência de barreiras à entrada de pessoas.
"As comunidades onde se encontram mais gays e lésbicas e mais boémios são lugares onde se concentram muitas pessoas criativas, porque são lugares onde as pessoas podem ser elas próprias, podem auto-exprimir-se", exemplificou.
O especialista salientou que o lugar onde se vive é tão importante para a felicidade das pessoas como a realização profissional ou sentimental e destacou alguns factores que fazem a diferença como a abertura à diversidade, a qualidade dos espaços (arquitectónica, ambiental, paisagística, estética), a liderança, as oportunidades e boas condições básicas (segurança, infra-estruturas, equipamentos, etc.).
"Os lugares de qualidade estimulam a economia criativa", sintetizou.
in RTP, RCR.
Dossier:
Actualidade,
Crítica Social,
Educação e Conhecimento,
Globalização
8.5.08
Escola com Futuro
Dossier:
Educação e Conhecimento,
Sugestões Decentes
5.5.08
Cultura: Autarquias desperdiçam dinheiro com o amadorismo
Ao intervir, na madrugada de hoje, num debate sobre "os desafios de uma nova política para a Cultura na cidade e região de Aveiro", Carlos Martins, ele próprio ex-autarca com o pelouro da Cultura na Câmara de Santa Maria da Feira, sublinhou a necessidade de maior profissionalismo nas apostas culturais dos municípios e de articulação à escala intermunicipal.
"É necessário ser profissional a fazer as coisas e a Cultura e o Turismo são os sectores onde há mais amadorismo ao nível municipal. Se há áreas nas câmaras onde se gasta mal o dinheiro é na Cultura", disse.
Salientou ainda que "o erro cometido" no aproveitamento dos fundos comunitários não pode ser repetido à luz do novo quadro comunitário de apoio (QREN) porque este impõe uma lógica diferente, que obriga à articulação intermunicipal.
"Via-se para que é que havia financiamento e depois fazia-se em função disso, seguindo um raciocínio muito pouco criativo e foi assim que se gastou muito dinheiro", sustentou o ex-autarca, dando como exemplo a proliferação de centros culturais sobredimensionados.
"Hoje as soluções criativas são muito mais necessárias porque o QREN é diferente e a competição faz-se em função dos melhores projectos, o que obriga a ganhar escala e a abandonar a lógica paroquial, partindo para um nível supramunicipal em que temos pouca experiência", completou.
Carlos Martins realçou ainda que "falar em cidades criativas não é um chavão e tem a ver com a sobrevivência", sendo a competitividade entre as metrópoles marcada pela capacidade de reter talentos.
Susana Sardo, da Universidade de Aveiro, a outra oradora do encontro organizado pelo projecto "Cidades Criativas" e pelo Teatro Aveirense, elegeu a "Cultura antropológica" como o factor que torna as cidades criativas e afirma a sua identidade.
"É preciso construir a cidade a partir de projectos criativos e isso não deve ser deixado a intelectuais e eruditos que detêm o conhecimento, sendo necessário dialogar com as pessoas nos espaços em que estão a trabalhar", disse.
Embora demarcando-se das correntes do Estado Novo e da visão de António Ferro, Susana Sardo enfatizou a importância da identidade dos territórios e de alguma forma recuperou a ideia do "orgulho" na pertença a uma cidade ou região pela sua cultura antropológica que diferencia cada uma na competição territorial.
"A grande aposta tem de ser encontrada no domínio da cultura antropológica, em diálogo com a cultura erudita", disse.
MSO.
Lusa/Fim
in RTP
"É necessário ser profissional a fazer as coisas e a Cultura e o Turismo são os sectores onde há mais amadorismo ao nível municipal. Se há áreas nas câmaras onde se gasta mal o dinheiro é na Cultura", disse.
Salientou ainda que "o erro cometido" no aproveitamento dos fundos comunitários não pode ser repetido à luz do novo quadro comunitário de apoio (QREN) porque este impõe uma lógica diferente, que obriga à articulação intermunicipal.
"Via-se para que é que havia financiamento e depois fazia-se em função disso, seguindo um raciocínio muito pouco criativo e foi assim que se gastou muito dinheiro", sustentou o ex-autarca, dando como exemplo a proliferação de centros culturais sobredimensionados.
"Hoje as soluções criativas são muito mais necessárias porque o QREN é diferente e a competição faz-se em função dos melhores projectos, o que obriga a ganhar escala e a abandonar a lógica paroquial, partindo para um nível supramunicipal em que temos pouca experiência", completou.
Carlos Martins realçou ainda que "falar em cidades criativas não é um chavão e tem a ver com a sobrevivência", sendo a competitividade entre as metrópoles marcada pela capacidade de reter talentos.
Susana Sardo, da Universidade de Aveiro, a outra oradora do encontro organizado pelo projecto "Cidades Criativas" e pelo Teatro Aveirense, elegeu a "Cultura antropológica" como o factor que torna as cidades criativas e afirma a sua identidade.
"É preciso construir a cidade a partir de projectos criativos e isso não deve ser deixado a intelectuais e eruditos que detêm o conhecimento, sendo necessário dialogar com as pessoas nos espaços em que estão a trabalhar", disse.
Embora demarcando-se das correntes do Estado Novo e da visão de António Ferro, Susana Sardo enfatizou a importância da identidade dos territórios e de alguma forma recuperou a ideia do "orgulho" na pertença a uma cidade ou região pela sua cultura antropológica que diferencia cada uma na competição territorial.
"A grande aposta tem de ser encontrada no domínio da cultura antropológica, em diálogo com a cultura erudita", disse.
MSO.
Lusa/Fim
in RTP
24.4.08
Novos Povoadores

A concentração demográfica nas áreas metropolitanas é promotora do aumento dos custos de vida, com destaque nos cuidados infantis e na habitação, bem como nos constrangimentos na mobilidade e no incremento de bolsas depressivas na sua periferia.
Actualmente, 40% da população vive nas áreas metropolitanas, onde se concentra 70% do endividamento das famílias.
Segundo a ONU, em 2015, 70% da população viverá nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Sendo conhecidas as condições de vida da população metropolitana - sobre endividamento; baixa qualidade de vida social e ambiental – Portugal poderia oferecer melhor qualidade de vida à sua população, e aos empreendedores soluções mais competitivas.
A principal influência para a localização de pessoas e famílias é o TRABALHO.
As populações fixam-se onde existe oportunidade de participação profissional. Logo, a promoção de oportunidades de empreendedorismo nestes territórios provocará o desejado Êxodo Urbano.
Os reduzidos custos de instalação de unidades empresariais no interior, os baixos custos de mão de obra em consequência de economias locais não inflacionadas e a qualidade de vida social e ambiental fruto da baixa densidade e dos fortes investimentos em infraestruturas sociais nos finais do século passado, tornam estes territórios altamente atractivos para todos os empreendedores em sectores económicos suportados pelas TICs.
É esta uma visão utópica? A sociedade globalizada assenta cada vez mais numa economia sem geografia, facto que permite olhar para o território de uma forma mais inclusiva. No contexto de um NOVO PORTUGAL, é possível reduzir o fosso das assimetrias regionais com vantagens para os novos residentes e para os territórios de baixa densidade. Por um lado, inegável incremento da qualidade de vida, por outro lado, a quebra de um ciclo de sangria demográfica.
A ruralidade tem hoje atractivos que lhe permite competir com as áreas urbanas. Os novos povoadores são os pioneiros que reconhecem as mais valias de uma vida mais tranquila sem prejuízo de uma presença profissional activa.
in O Interior, Alexandre Ferraz e Frederico Lucas
23.4.08
Seia: Contact Center da EDP cria 250 postos de trabalho e garante serviço de atendimento em caso de acidente

Seia, Guarda, 23 Abr (Lusa) - O novo centro de atendimento (contact center) da EDP, em Seia, vai criar até 250 postos de trabalho e reduzir os riscos de ocorrerem interrupções no fornecimento de energia, anunciou hoje a eléctrica.
Segundo o presidente da EDP, António Mexia, o serviço hoje inaugurado, com a presença do secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, envolveu um investimento de 2,5 milhões de euros.
Uma antiga garagem da EDP foi transformada num moderno Contact Center que ficará equipado com 150 posições de atendimento, correspondentes a 250 postos de trabalho.
O Contact Center atenderá uma média de quatro milhões de chamadas por ano e permitirá o lançamento de serviços inovadores através de telefone, SMS e Internet.
O serviço vai aumentar a qualidade do atendimento e reduzir "o risco operacional através da possibilidade de utilizar cada um dos Contact Center [há outro em Odivelas] como backup mútuo do outro", segundo a empresa.
Trata-se de "uma obra focada na capacidade de garantirmos, mesmo em caso de terramoto, o serviço ao cliente", disse.
"Até agora, tínhamos toda a operação telefónica pendurada num único Contact Center, que era o Contact Center de Odivelas e qualquer problema grande que houvesse em Odivelas punha em causa 80 por cento de todos os contactos que os clientes fazem directamente com a EDP", disse Cruz Morais, da administração da EDP.
"A existência deste segundo Contact Center permite balancear cargas de um lado para o outro", referiu, explicando que "se houver um problema em Lisboa, funciona este".
"Eles estarão sempre os dois a funcionar, mas cada um deles tem capacidade de recuperar, se houver alguma falha no outro", sublinhou o responsável.
Tendo em conta a distância a que os dois serviços estão, "qualquer problema grave que possa ocorrer em Lisboa, com baixíssima probabilidade irá ocorrer aqui e existem altas condições de segurança porque esta zona é de baixa sismicidade", adiantou.
O presidente da EDP justificou a aposta da empresa em Seia pelo facto de existir uma "ligação história" com um século de existência, altura em que foi construída a primeira central hídrica de produção de energia eléctrica no concelho.
Considerou o investimento realizado em Seia "muito importante" porque revela a "prioridade" que a EDP dá aos seus clientes e contribui para ajudar no "desenvolvimento do interior" do país.
A opção da EDP também foi valorizada pelo secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, ao afirmar tratar-se de "uma manifestação da maior importância pela parte da EDP porque significa a preocupação crescente que ela tem ao nível da responsabilidade social".
"Uma empresa como a EDP não pode demarcar-se, do ponto de vista da responsabilidade social", disse, aludindo ao facto de a empresa criar novos postos de trabalho num concelho do interior.
Eduardo Brito, presidente da Câmara Municipal de Seia, mostrou-se satisfeito com a opção da empresa, assumindo que a instalação do Contact Center é "um contributo muito importante para iniciar um novo ciclo de modernização do nosso tecido empresarial", após a crise que afectou o sector têxtil, predominante na região.
"É um acontecimento muito importante para Seia e também para a região", disse o autarca, pelo facto de os funcionários terem sido recrutados no concelho, em colaboração com o Instituto de Emprego, Escola de Turismo e Telecomunicações e Escola Profissional local.
Na cerimónia, o autarca socialista aproveitou a presença de António Castro Guerra para reivindicar melhores acessibilidades para o seu concelho e para a zona da Serra da Estrela.
Na resposta, o governante prometeu levar "o recado do senhor presidente da Câmara" para Lisboa.
"Falarei sobre o tema com os políticos responsáveis e espero ser capaz de os sensibilizar para colocar a ligação Seia/Gouveia à A25 numa oportunidade que não seja muito longa", prometeu.
ASR.
in RTP
18.4.08
PSD Guarda quer pacto contra interioridade
Susana Margarido *
A Comissão Política distrital do PSD da Guarda vai organizar a 19 de Abril um Congresso da Interioridade. O objectivo é “constituir uma plataforma de sensibilização dos poderes políticos e estabilizar as políticas de desenvolvimento regional”, independentemente dos governos, explica Álvaro Amaro, presidente da estrutura do PSD. A iniciativa está marcada para as 10h00, no auditório do Instituto Politécnico da Guarda (IPG).
Entre os oradores estão Constantino Rei, docente no IPG, que irá fazer o enquadramento do tema, Miguel Cadilhe, para falar da Interioridade como questão política, Daniel Bessa, com o tema “Motivar as empresas a investir” e Arlindo Cunha, que irá debater “Correcções de assimetrias e questões institucionais”. O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, vai estar na sessão de encerramento do encontro que prevê ainda três períodos de debate ao longo do dia.
“Não vamos resolver as questões da interioridade em geral, nem sequer do distrito, em particular”, refere Álvaro Amaro. No entanto, espera que do encontro saiam “medidas arrojadas” para o que considera ser uma “situação de desespero” causada pela desertificação.
“Por este andar, daqui a mais três ou quatro décadas, uma faixa do território deixa de ter qualquer povoamento”.
SUGESTÃO PARA UM PACTO
"Se há pacto que o País aceitaria entre todas as forças políticas, seria o pacto em nome do equilíbrio do País, em nome da interioridade", afirmou o dirigente social-democrata, dando conta que Portugal "vive uma situação desesperante de desequilíbrio" entre o litoral e o Interior.
"As pessoas acabam por sair [do Interior], acabam por conduzir à desertificação de um grande espaço do território", admitiu, indicando que o distrito da Guarda, entre os Censos de 1981 e 2001, "perdeu 25 mil pessoas, que correspondem a quatro ou cinco concelhos do distrito".
Em busca da coesão nacional
"Esta iniciativa não pretende apenas demonstrar a realidade, insistindo nos diagnósticos e na avaliação das causas, mas, acima de tudo, partir dela para construir opções potenciais que invertam a tendência histórica das políticas de desenvolvimento e da gestão nacional", afirmou. Álvaro Amaro disse que dos trabalhos sairão "sugestões e medidas" que visem contribuir para a promoção da "coesão nacional".
* com Lusa
in Diário XXI
A Comissão Política distrital do PSD da Guarda vai organizar a 19 de Abril um Congresso da Interioridade. O objectivo é “constituir uma plataforma de sensibilização dos poderes políticos e estabilizar as políticas de desenvolvimento regional”, independentemente dos governos, explica Álvaro Amaro, presidente da estrutura do PSD. A iniciativa está marcada para as 10h00, no auditório do Instituto Politécnico da Guarda (IPG).
Entre os oradores estão Constantino Rei, docente no IPG, que irá fazer o enquadramento do tema, Miguel Cadilhe, para falar da Interioridade como questão política, Daniel Bessa, com o tema “Motivar as empresas a investir” e Arlindo Cunha, que irá debater “Correcções de assimetrias e questões institucionais”. O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, vai estar na sessão de encerramento do encontro que prevê ainda três períodos de debate ao longo do dia.
“Não vamos resolver as questões da interioridade em geral, nem sequer do distrito, em particular”, refere Álvaro Amaro. No entanto, espera que do encontro saiam “medidas arrojadas” para o que considera ser uma “situação de desespero” causada pela desertificação.
“Por este andar, daqui a mais três ou quatro décadas, uma faixa do território deixa de ter qualquer povoamento”.
SUGESTÃO PARA UM PACTO
"Se há pacto que o País aceitaria entre todas as forças políticas, seria o pacto em nome do equilíbrio do País, em nome da interioridade", afirmou o dirigente social-democrata, dando conta que Portugal "vive uma situação desesperante de desequilíbrio" entre o litoral e o Interior.
"As pessoas acabam por sair [do Interior], acabam por conduzir à desertificação de um grande espaço do território", admitiu, indicando que o distrito da Guarda, entre os Censos de 1981 e 2001, "perdeu 25 mil pessoas, que correspondem a quatro ou cinco concelhos do distrito".
Em busca da coesão nacional
"Esta iniciativa não pretende apenas demonstrar a realidade, insistindo nos diagnósticos e na avaliação das causas, mas, acima de tudo, partir dela para construir opções potenciais que invertam a tendência histórica das políticas de desenvolvimento e da gestão nacional", afirmou. Álvaro Amaro disse que dos trabalhos sairão "sugestões e medidas" que visem contribuir para a promoção da "coesão nacional".
* com Lusa
in Diário XXI
Dossier:
Actualidade,
Desenvolvimento Sustentavel,
Inclusão
31.3.08
Abordagem Sociológica do Poder Local
A política não se restringe ao acto de denominação pelas elites e à resistência por parte dos cidadãos. Em sociedades municipais é crucial estudar a capacidade de liderança e o papel da burocracia na produção de políticas sociais e ainda de grupos e associações de interesses locais (Gerry Stoker, 1995).No nosso trabalho chama-se igualmente a atenção para a existência em Portugal de um certo caudilhismo político local que sem atingir a importância do fenómeno do Mayor Daley em Chicago nos anos cinquenta e sessenta, merece especial atenção.
Este fenómeno manifesta-se no facto da permanência do mesmo presidente camarário, independentemente da sorte das eleições nacionais, tendo várias explicações.
Em alguns casos está associado a habilidade em solucionar situações de ruptura, garantindo consensos e objectivos comuns que possam pelo crescimento urbano e valorização dos interesses locais. Noutros casos, este fenómeno não se pode desligar do controlo da construção urbana e da localização industrial e, por consequência, também do emprego. Constituem características comuns às duas situações e domínio do aparelho administrativo e a existência de clientelismo.
Todavia, o trabalho mais importante deve-se a Opello (1983) o qual examina o governo local e a cultura política de um concelho rural no período a seguir ao 25 de Abril de 1974. Da sua análise ressalta a ideia de que apesar da burocratização do sistema político e da autonomia dos governos locais, estes continuam amarrados à tutela administrativa e completamente dependentes sob o ponto de vista financeiro; daí que o processo de decisão seja predominantemente administrativo.
Acresce que a cultura política local também não se alterou. Cidadãos e dirigentes locais têm um comportamento de administrados/administradores. Não existe a cultura de responsabilidade destes últimos relativamente às assembleias municipais e, por intermédio destas, aos cidadãos.
(...)
No contributo destes autores é de sublinhar sobretudo a chamada de atenção para a informalidade das relações entre os eleitos locais e o poder central de Estado. Na verdade, o quadro formal das competências locais pouco nos diz sobre o relacionamento entre os poderes do Estado.
Cada local tem uma cultura política própria com maior ou menor poder negocial relativamente ao poder central.
A propósito das relações entre o poder central e poder local, Fernando Ruivo fala de um Estado labiríntico em que as relações pessoais se sobrepõem ao quadro jurídico. Isto significa que a abordagem jurídica formal espelha um mundo imaginário que na realidade não existe
(...)
Assim, depois de caracterizarem o perfil do autarca, de examinarem o contexto jurídico e as restrições financeiras à Administração local, procuram definir o papel das câmaras no desenvolvimento local, pela análise dos orçamentos verificam que em meados da década de oitenta mais de 75% do total dos investimentos eram gastos em rede viária, saneamento básico e exploração dos serviços tradicionais - fornecimento de água, transportes, recolha de lixo, etc. E, embora tivessem sido alargadas as suas competências a determinadas áreas de intervenção económica como a saúde e o turismo, pouca influência haviam tido nestes sectores.
Áreas como a criação de empregos, formação profissional e incentivos à fixação de empresas eram quase desconhecidas da gestão local.
Em termos de processo decisão, predominavam os mecanismos jurídico-constitucionais e de rotina.
(...)
in Regionalização
29.3.08
Covilhã vai fabricar aviões

A cidade da Covilhã vai ser palco de um investimento luso-francês no sector da indústria aeronáutica, em associação com a Universidade da Beira Interior e com a própria autarquia.
A ALEIA - Indústria Aeronáutica de Portugal, que tem como accionistas as indústrias francesas Dyn’Aéro e Equip’Aéro, para além das empresas portuguesas Spinworks (aeroespacial) e Plasdan (área dos moldes), vai instalar-se nas imediações do aeródromo da cidade, onde criará uma linha de montagem de aeronaves de dois e quatro lugares.
Fabricará peças para aviões de um construtor francês ligado ao projecto e, em simultâneo, desenvolverá uma gama própria de aviões certificados, com uma forte componente de tecnologia de última geração, baseados num motor desenvolvido desde 2002 pela empresa francesa Price-Induction.
O motor que irá equipar esta gama de aeronaves venceu o Prémio Inovação, atribuído pela Association des Ingenieurs Aéronautiques Français (AAAF), no ano de 2007.
Os responsáveis pela ALEIA, que assinarão o contrato de investimento com a autarquia no próximo dia 14 de Abril, querem iniciar as obras da fábrica de imediato, para começarem a entregar as primeiras aeronaves «made in Covilhã» no Verão de 2009. Quando a empresa atingir a velocidade cruzeiro em termos de produção, o que se espera poder acontecer em 2014, prevê colocar no mercado 250 unidades de três modelos diferentes por ano.
Mas há ainda uma novidade adicional: a ALEIA quer colocar a voar no primeiro semestre de 2010 os primeiros dois protótipos de aviões totalmente concebidos e fabricados na Covilhã, em estreita colaboração com a UBI, onde existe um dos poucos cursos de engenharia aeronáutica em Portugal.
Os responsáveis pelo projecto estimam que nos próximos três anos a empresa possa criar pelo menos 100 postos de trabalho qualificados, nomeadamente para engenheiros e técnicos especializados.
O «clic» que faltava
“Este era o «clic» que esperávamos há anos para que a cidade e a região pudesse descolar, de uma vez por todas, para novos voos em termos de crescimento económico e social. Finalmente conseguimos, e estão criadas as condições para aqui nascer um pequeno «cluster» aeronáutico, em associação com o Parque Tecnológico da Covilhã, onde já estão instaladas 30 empresas inovadoras”, sublinha Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã (CMC).
Ainda nesta cidade será formalizada no dia 1 de Abril a criação do Centro Operativo de Novas Tecnologias da Covilhã.
As multinacionais Teleperformance e Vodafone serão as primeiras inquilinas desta infra-estrutura, com a abertura de um «contact center» (centro de contacto telefónico), que deverá gerar, numa primeira fase, 300 postos de trabalho. No entanto, e ainda segundo Carlos Pinto, calcula-se que se possa chegar aos 500 postos de trabalho até 2010.
A aposta nos serviços
“Isto é, sem dúvida, uma boa notícia para a cidade e para a região. Mas este investimento é também a prova de que começamos a ganhar algum relevo em termos de atracção de empresas do sector terciário, que encontram aqui os recursos de que precisam para os seus negócios”, refere o autarca.
Numa nota à comunicação social, a CMC adianta ainda que “a Vodafone utilizará este centro para responder a novas necessidades do seu serviço de apoio a clientes”. Aliás - adianta o mesmo comunicado -, estima-se que até final deste ano a estrutura a criar na Covilhã processe cerca de 10% do volume de atendimento deste serviço.
O «contact center», cuja abertura está prevista para Outubro de 2008, contará com a mais sofisticada tecnologia IP (Protocolo Internet) da Vodafone para prestar serviços de atendimento telefónico, de correio electrónico e de «chat» aos clientes desta operadora.
in Expresso, Vítor Andrade
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