Nascido em Fiães, pequena aldeia perto de Trancoso, em 1953, mas criado desde cedo em Lisboa, Cortes licenciou-se em Economia e exerce funções de técnico superior do Ministério da Cultura, além de desenvolver intensa colaboração literária na imprensa portuguesa. Fundamentalmente poeta, tem-se aventurado com êxito em outras formas literárias, como o conto, a crônica e o artigo de opinião, que já foram reunidos em outros volumes. Ao seu primeiro livro, Ciclo do Amanhecer, de 1985, seguiram-se 33 Sonetos de Amor e Circunstância, de 1987
com reedição em 1993, O Ciclo da Casa e Outros Poemas, de 1991, Nas Margens do Hades, de 1993, Em Lisboa, pelo Natal, de 1995, Poemas de Amor e Melodia, de 1999, e O Livro do Pai, de 2001.Sonetista, Cortes, como assinala a professora Annabela Rita, cultiva a disposição estrófica e o esquema rítmico do soneto inglês, a preferida de William Shakespeare, com três quadras e um dístico, em vez da forma arquetípica, mais conhecida entre nós, com duas quadras e dois tercetos. Sem contar outras variações a que recorre. Lírico, o poeta segue nas pegadas de Fernando Pessoa e José Régio, ao constatar uma certa inutilidade da vida: “(...) Tudo cansa pois pelo menos assim parece/ — E o próprio descanso se for demais se aborrece”, diz ao final de “Tudo cansa”, que faz parte de Poemas de Amor e Melodia.

A poesia de Cristino Cortes não oferece dificuldades de leitura nem se reveste do hermetismo hoje tão comum em muitos poetas tanto portugueses como brasileiros. O seu fazer poético está preso ao cotidiano, às marcas do tempo que passa, como observa no dístico do “Poema do envelhecimento(II)”, também de sua mais recente safra: “(...) Não me sinto velho, mas o fulgor de outrora despeço / Se é tão visível como nos teus olhos envelheço”. E o que escreve diz tanto à alma que vive aqui ou no lado de lá do Atlântico. É por isso que o leitor brasileiro deve aproveitar esta oportunidade para conhecer este poeta.
Fonte: blog.comunidades.net/adelto/
1 comentário:
PIETà POETISA
NATURAL DE TRANCOSO
ADMIRADORA DA POESIA DE CRISTNO CORTES ! PARABÉNS COMO SEMPRE HÁ UMA VEIA DE BANDARRISTA ...
FORÇA É ME GRATO CONTINUAR A LÊ-LO
POETÁ
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