"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

30.12.06

Concelhos da área norte da Beira Interior são os que mais poupam

Estudo conclui que a região tem melhor saldo entre o dinheiro depositado e os créditos contraídos junto dos bancos


Os concelhos do Norte da Beira Interior são os que têm melhor saldo entre o dinheiro depositado e os créditos contraídos junto dos bancos, conclui um estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social. O trabalho O Mercado do Crédito na Beira Interior, dos investigadores José Pires Manso e Rita Duarte, da Universidade da Beira Interior, foi baseado em informações do Instituto Nacional de Estatística no período compreendido entre 1995 a 2003.
Segundo os dados analisados, na Beira Interior, os depósitos feitos nas instituições financeiras têm valor superior aos créditos concedidos, mas o saldo é cada vez menor. "O valor dos depósitos pouco cresceu", enquanto o total de créditos [de todos os tipos] concedidos aos residentes e empresas da Beira Interior apresenta taxas médias de crescimento próximas dos 15 por cento ao ano. Segundo o estudo, há duas conclusões possíveis: "A capacidade de poupança dos residentes na região da Beira Interior tem vindo a baixar ou os juros pagos pelas entidades financeiras não são suficientemente atractivos para que as pessoas depositem aí as suas economias".
Nas zonas da Cova da Beira e da Beira Interior Sul, a situação caminha rapidamente para uma inversão. "Num prazo não muito dilatado no tempo, poderão vir a tornar-se crédito-dependentes", ou seja, o valor dos créditos concedidos vai ultrapassar o dos depósitos, conclui o estudo. Do lado oposto desta tendência estão os concelhos mais rurais, que se distinguem por fazer mais depósitos bancários.
A Beira Interior Norte representa 40,71 por cento dos depósitos bancários totais da região. Uma das causas desta "capacidade depositante" é a "forte emigração que existe na área", explica Pires Manso. "Nos concelhos da Beira Interior Norte são depositadas muitas remessas de emigrantes". Por outro lado, "as famílias estão habituadas a investir pouco e a poupar muito para qualquer eventualidade, o que gera essa capacidade depositante e diminui o recurso ao crédito", explica.

Saldo de quase 800 milhões entre depósitos e empréstimos
Um dos concelhos da Beira Interior Norte é o do Sabugal, que entre os 18 estudados registou o maior valor de depósitos per capita em 2003: 16.990 euros. Pires Manso é natural daquele concelho e recorda que, por tradição, "a maior parte das compras era feita a pronto pagamento".
Em 2003, o saldo entre depósitos e empréstimos era de quase 800 milhões de euros na Beira Interior Norte, ultrapassava os 200 milhões na zona da serra da Estrela, enquanto na Beira Interior Sul e na Cova da Beira já não chegava à fasquia dos 200 milhões de euros.
O concelho que acumulou mais créditos foi o de Castelo Branco, com 24,7 por cento do total da Beira Interior, seguido da Covilhã, com 17,9 por cento, e da Guarda, com 17,5 por cento.
"De 1999 a 2002, o valor do crédito concedido às empresas cresceu consideravelmente, mas o número de empresas e sociedades com sede na região diminuiu", salienta o estudo, concluindo que o valor de cada empréstimo tem aumentado.
O estudo abarca os concelhos de Seia, Gouveia e Fornos de Algodres, que integram a Nomenclatura de Unidade Territorial (NUT) da Serra da Estrela; os concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Pinhel, Almeida, Sabugal, Figueira de Castelo Rodrigo, Meda e Trancoso, da NUT Beira Interior Norte; os concelhos de Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Penamacor e Idanha-a-Nova, da NUT Beira Interior Sul; e os concelhos da Covilhã, Fundão e Belmonte, da NUT Cova da Beira.
Ainda segundo o trabalho, em 2003, as três principais cidades (Covilhã, Castelo Branco e Guarda) concentravam mais de metade dos 219 estabelecimentos financeiros existentes na região.

Lusa

1 comentário:

Vasco Simões disse...

Ora Boas!
Quem elaborou este estudo esqueceu-se de retirar a conclusão mais óbvia de todas! Tirou duas: Baixou o poder de compra ou em alternativa a taxa de juro não é atractiva... ok... está certo... se não é carne é peixe! Então e o aumento do confronto das pessoas com bens de consumo?! Diariamente e através de multiplos canais (televisão, internet, jornais, outdoors,...). Será que as empresas andam a dormir e só vendem em zonas já saturadas?! Não procuram novos mercados?! Será que as pessoas poupam menos devido à taxa de juro ser pouco atractiva ou por estarem a ganhar menos?! Será que é isso mesmo?! Ou será que os fundos são agora investidos em bens de consumo (automóveis, telemóveis, computadores, férias, roupas da moda, almoçaradas e outros artigos alimentares que não de primeira necessidade)?! Será que a oferta de bens de consumo não aumentou?! Tudo bem... 0 estudo está certíssimo, utiliza dados de fontes credíveis... só entendo que as conclusões são... inconclusivas! Não era mais interessante, antes de publicar o estudo, fazer uma correlação entre o aumento da compra de bens de consumo (nem que fosse através de inquéritos: qual a % do seu vencimento que gasta em bens de primeira necessidade? E em outro tipo de bens? E a % de poupança?) Era a partir daí que se retiravam conclusões fiáveis com maior ou menor margem de erro. Sinceramente, e isto vê-se à légua, o aumento do confronto das pessoas com os bens de consumo (as formas de divulgação dos produtos e os canais de distribuição não têm nada a ver com os de há 20 anos atrás),está por detrás deste "fenómeno". Pelo menos é essa a minha opinião!

Um bom ano para todos!
VS