"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

19.2.07

Queijo Serra da Estrela tem que ser tratado como um bebé: é preciso lavar e mudar o pano

O leite de ovelha utilizado na concepção do Queijo Serra da Estrela só deve ser ordenhado de manhã e à noite. Em média, o queijo leva 45 a 60 dias a ficar pronto, período durante o qual tem que ser virado, lavado e trocado o pano como se "de um bebé se tratasse".
A actividade produtiva do queijo não é fácil, como explicou Carlos Lopes, proprietário da queijaria de Germil, concelho de Penalva do Castelo. Produz queijo com leite de 250 ovelhas, das quais 100 são suas. É de manhã bem cedo que o trabalho começa com a ordenha dos animais que depois são levados para o monte pelo pastor. Ao final do dia, a tarefa é a mesma.

Certificação

A queijaria de Carlos Lopes tem já 14 anos e é uma das que está licenciada e certificada em Penalva do Castelo. O proprietário decidiu-se por esta actividade depois de ter trabalhado durante algum tempo na agricultura. Como as compensações financeiras não eram tão boas, optou pela produção de queijo. Garante que a certificação traz os seus benefícios, mas recorda que nada é fácil.
Isto porque, conta, foi preciso fazer um elevado investimento para a realização de obras e equipamentos de forma a que fossem cumpridas todas as normas exigidas. As vantagens, para o proprietário, resultam em dois aspectos: por um lado permite a produção e armazenamento todo o ano e, por outro, o consumidor fica com a garantia de um melhor produto, já que a todo o queijo que sai da queijaria é atribuído um número para controlo.
Carlos Lopes é da opinião de que apesar do licenciamento e da certificação serem úteis, seria também necessária uma maior atenção por parte das entidades no sentido de ajudarem a promover o produto.

Queijo corre o país

Com três funcionários, a queijaria chega a ter em armazém cerca de mil queijos que são depois vendidos ao consumidor final. "As pessoas fazem as suas encomendas e muitas delas acabam por vir aqui buscar o seu queijo. Tenho consumidores de todo o país, desde Braga até ao Algarve", sublinha Carlos Lopes.
O produtor recorda que esta é uma actividade que se faz com "dedicação" e lembra que para ser verdadeiro o queijo da Serra da Estrela tem determinadas regras a cumprir. A ovelha tem de ser a bordaleira e na confecção tem que ser utilizado o cardo (uma planta que depois de moída é adicionada ao leite) e o sal. A área geográfica de produção abrange os concelhos de Carregal do Sal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Mangualde, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo e Seia e algumas freguesias de Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tondela, Trancoso e Viseu.

in Diário Regional

2 comentários:

al cardoso disse...

Sao de louvar productores como este que decidiu ir pela certificacao, mas temos que admitir, que praticamente nao havendo diferenca no preco, poucos sao os que se decidem ir por essa via, porque o producto e o mesmo a diferenca e so ter rotulo!

Um abraco d'Algodres, ("A terra do queijo")

Vasco Simões disse...

O queijo da serra é um dos ícones de toda a região. Eis um bom exemplo de que quando existe aposta na qualidade se atinge reconhecimento e uma boa performance. Não é à toa que aparecem clientes de tão longe... um exemplo a seguir e de como se pode "industrializar artesanalmente" o fabrico de queijo da serra.

1 Abraço a todos!