"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

24.2.07

Êxodo Urbano: Competitividade dos territórios


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Se alguém escrevesse na década de oitenta que o ano 2000 iria iniciar com a dessertificação dos grandes centros urbanos, seria chamado de louco.
Mas hoje sabemos que Lisboa e Porto perderam 9% da população para a sua periferia e para o interior.
Por outro lado, muitos daqueles que foram viver para a períferia à procura de mais qualidade de vida acabam por ser confrontados com novos atentados a essa qualidade, face ao crescimento desordenado que ocorre(u) em Alfragide, Massamá, Odivelas, Loures, Vila Franca de Xira ou Mafra.

Por este motivo, todos as pessoas que gozam de alguma independência geográfica, quer por se tratarem de profissionais liberais quer funcionários de grandes organizações com escritórios/dependências/estabelecimentos dispersos pelo país, estão a considerar novos territórios para organizarem a sua vida.

E isto conduz-nos a outra questão: A competitividade dos territórios do "interior".

O interior goza de baixos custos de vida a par de elevados níveis de conforto: Duas características que em associação com a disponibilidade de banda larga em todo o território português têm um factor altamente pulverizador da população portuguesa.
Por este motivo, funcionários e responsáveis pelo turísmo dos diversos municipios devem hoje "vender" o território e não se limitar a descrever legados históricos. Por outro lado, cabe aos autarcas alguma responsabilidade na atractibilidade desses territórios, uma vez que os novos povoadores têm necessidades culturais e de consumo que divergem do clássico "Comércio Tradicional".

Estará o interior português preparado para responder a esta nova tendência? Ou será que as principais empresas de mudanças urbanas vão continuar a carregar mobilias nos centros urbanos nacionais e a descarregá-las em território espanhol?!

2 comentários:

al cardoso disse...

Aqui esta a solucao para muitos ou ate a totalidade dos concelhos do interior: "vender o territorio".
Felizmente vejo alguns a faze-lo e bem, outros tal como o meu nem tanto!

Um abraco d'Algodres.

Vasco Simões disse...

Ora Boas!
A diminuição da população dentro das grandes cidades deve-se essencialmente ao valor astronómico do m2. Esta é a causa fundamental da fuga para a periferia. Deste modo a área metropolitana de Lisboa cresceu (e continua a crescer) de forma exponencial. Não é um fenómeno novo. Paris, Londres e Madrid por exemplo são cidades que apresentam os mesmos "sintomas" há muitos anos: Centro da cidade destinado a escritórios e outros serviços, periferia destinada essencialmente a habitação e alguma indústria.
Já quanto à capacidade competitiva do interior para aproveitar esta tendência, penso que continua a faltar o essencial: postos de trabalho. Há alguns meses atrás comentei esta questão e continuo a pensar da mesma maneira (chamem-lhe antiquada, do tempo da revolução industrial, o que quiserem!) e que continuo a achar que é a correcta: têm de haver em cada concelho uma ou duas empresas de grande porte que fixem a população e que garantam postos de trabalho (directos e indirectos). A minha base de raciocínio é bastante simples: as multinacionais são as auto-estradas de fluxos monetários de qualquer país e quanto mais houverem mais desenvolvido é o país (Acho que isto nem tem discussão!) . À devida escala, como é evidente, os concelhos que tenham mais empresas de grande porte são os mais desenvolvidos e que atraem e fixam mais população.
Por outro lado, além de emprego são necessárias uma série de infra-estruturas que acompanhem o desenvolvimento. Ideias para atrair indústria ou outro tipo de empresas e consequentemente emprego de modo a fixar/atrair população? Já debatemos isso aqui no forum há alguns meses, mas nunca é demais voltar a falar no assunto se assim o entenderem!
Continua o bom trabalho Frederico! 1 Abraço também ao Nuno!

VS