"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

19.5.06

População de Trancoso desde 1801

O concelho de Trancoso teve um fluxo populacional pouco variavel na seguinte figura podemos analisar os diversos índices populacionais desde 1801, nestes anos a população esteve sujeita a ciclos migratórios, pestes, guerras no entanto nunca houve uma grande variação sendo em destaque a época de 1960 anos anteriores ao rebentamento da emigração para outros países da Europa em que ultrapassou os 18000 habitantes. Hoje o concelho de Trancoso sofre o flagelo da desertificação do interior sendo a Cidade de Trancoso e Vila Franca das Naves dois pólos que albergam quase 50% da população do concelho. Trancoso segundo os censos de 2001 foi o segundo concelho com maior crescimento urbano a seguir à Guarda e terceiro com melhor desempenho demográfico no distrito.
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6 comentários:

al cardoso disse...

Infelizmente a desertificacao estende-se a todo o distrito, no nosso caso: Fornos de Algodres ainda na decada de 50 tinha cerca de 12000 habitantes e, no ultimo senco nao chegou nem a metade desse numero.
E, o que e que o governo tem feito, para estancar esta desertificacao, ou ate inverte-la???

Anónimo disse...

A resposta para o acontecimento deste fenómeno é bastante simples e toda a gente sabe qual é: falta de infra-estruturas que sirvam de suporte ao desenvolvimento. No entanto, nos ultimos anos há sintomas de melhoria: começaram a existir rodovias de qualidade que fazem a ligação ao interior e a aposta no ensino superior nas principais cidades são exemplos claros na aposta contra o isolamento e mão de obra pouco qualificada. Esse tem sido o papel governo com a construção do IP2,IP3,IP4,IP5 (que passa a AE)que são estradas sem custos para o utilizador. Por exemplo na A9 CREL, o percurso Queluz - Alverca custa a módica quantia de 2,50 €. A Faculdade de Medicina na Covilhã é outro exemplo. Se isto não são incentivos...
Quanto à desertificação das aldeias, entendo que é um fenómeno natural decorrente do estilo de vida quotidiano onde a população pretende estar perto de certos serviços, preterindo um estilo de vida mais pacato. Reforço mais esta ideia com o facto de a agricultura ser uma área pouco rentável e estar associado a um elevado grau de risco (intempéries por exemplo). A tendencia natural é a terciarização.
Quanto à desertificação em si, é um problema real, mas têm de ser também as autarquias a tomar providências: Vila de Rei é um exemplo a seguir, não necessariamente com cidadãos de outros países, mas com cidadãos portugueses que estejam interessados, e certamente que os há.
A tendência é atirar as culpas para o governo central quando se esquecem que têm aí um Sr. presidente de câmara há mais de vinte anos agarrado ao poder e que em nada contribui para reverter esta tendência, preferindo gastar fundos numa enorme festa todos os anos.
Mais uma vez cito o exemplo de Vilade Rei: A Sra presidente da autarquia constatou um problema de desertificação nas aldeias do concelho e tenta resolve-lo.Bem ou mal tenta. E em Trancoso? E em Fornos de Algodres? e na Mêda? E em Pinhel? Há tentativas para resolver o problema?
VS

Nuno disse...

Ola Sr. Anonimo
Quando o Governo insiste em querer fechar Maternidades, Tribunais, Intercidades, Centros de Saude, etc por culpa das próprias más politicas nos ultimos 20 anos, só pode ir piorar tudo e entregar isto tudo aos Espanhois. Porque não acabaram com os Governos Civis? Porque nao descentralizam os serviços e só ocupam o atacado urbano Porto e Lisboa? Porque se demora tanto a contruir uma auto-estrada em propriedade horizontal ou seja eixo Interior Norte Sul e no litoral nascem ao kilo? Até a própria comunicação social coloca o Interior como um empecilho deserto de coitadinhos e digna-se a mostrar aldeias que nem as proprias pessoas do Interior nem conhecem, passando uma mensagem de atraso e de atrasadinhos.
De qualquer forma gostei do seu pensamento e não deixa de ter razão num bom par de reflexões.

al cardoso disse...

Se nao forem acompanhadas de outras medidas de incentivo a fixacao de empresas e criacao de postos de trabalho, as novas vias de comunicacao, so servirao para os poucos naturais e residentes se mudarem mais rapidamente para o litoral ou para o resto da Europa.
Sao postos de trabalho que o interior necessita!!!

Anónimo disse...

Olá a todos!
Gostei das respostas, mas mais uma vez insisto: Não é só o governo central que deve fazer qualquer coisa. O interior não se pode martirizar constantemente com a falta de apoios do governo, apesar de todos sabermos que o interior caiu um pouco no esquecimento. O governo vai dando os seus passos, lentos é certo mais vai dando alguns. Cabe também às autarquias agirem. Porque não incentivar empresas a investir no concelho? como? construindo por exemplo um parque industrial e cedendo o espaço às empresas (mediante, claro, concursos e projectos atractivos economica e socialmente aos concelhos do interior). Outra medida é por exemplo abdicar da Derrama sobre o IRC. Mais uma medida é tentar chegar a acordos com bancos que proporcionem benefícios de vários tipos (redução de taxas e de rendas, por exemplo) a quem queira investir no interior. Ainda outra medida: tentar negociar com o governo central (não só Trancoso mas todos os concelhos menos desenvolvidos em conjunto) taxas de IRC mais baixas para quem queira investir nesses concelhos e taxas de IRS mais baixas para quem lá decida habitar. Parece uma medida utópica e irreal, violando a lei constitucional do direito à igualdade de cidadania, mas pelo menos mexia um pouco as sensibilidades e poderia servir de catalisador a novas ideias de incentivo à causa.
Uma coisa é certa: sem incentivos (quer fiscais, quer de outra natureza) as empresas não vão investir em Trancoso nem em nenhum concelho do interior. 1ª Consequência: Menos postos de trabalho. 2ª Consequência: Fuga das populações para locais onde exista trabalho.
Vias de comunicação existem (e gratuitas como a A23 por Exemplo). Mão de Obra qualificada começa a existir (Politécnicos na Guarda e em Viseu, UBI na Covilhã, EPT em Trancoso...). Falta o incentivo da autarquia aos investidores externos. É esse pelo menos o meu ponto de vista, sem querer ferir susceptibilidades!
VS - O Anónimo do Post Anterior

Nuno disse...

Vivam !
Na sequencia dos comentário deixo ainda mais algumas considerações: Hoje em dia é muito dificilmente captar investimentos para portugal, as industrias de calçados, texteis e afins evaporam-se a olhos vistos para os países do leste e oriente, outro genero de Industria como podemos constatar através da televisão nem nos grandes centros já existe uma grande atractividade, Portugal tem pouca mão de obra qualificada, tem demasiados quadros superiores e inferiores, o intermédio pouco existe porque houve durante muitos anos pouca formação profissional, hoje começa a dar os pequenos passos com as escolas profissionais etc mas leva já um consideravel atraso em relação a outros parceiros Europeus, daí que segundo as estatisticas a Nossa produção deixa muito a desejar. Ou seja para o Interior do País fica e aproveita-se a gastronomia e o Turismo, assim como alguns serviços se o governo não os tirar de cá... Nesse Ponto as autarquias tentam desenvolver-se em criar condiçoes o que não é facil no entanto os produtos regionais a nivel de salchicharias, enchidos fumados e queijos começam a dar sinais claro de ser um caminho a explorar. Hoje Trancoso vive essencialmente do Turismo e desses pontos economicos, graças a isso e porque não há uma concentração de Industria Pesada dificilmente se entra em Caos Social com algum encerramento de escala. Mas não sao propriamente as Sedes dos Concelhos do Interior que estao desertificadas, quase todas tiveram aumentos consideraveis de população algumas apelidadas pelos Censos 2001 de Capitais do Deserto, Trancoso cresceu 50% em 10 anos. Mas as aldeias e as freguesias enquanto uma aldeia do concelho interior tem 500 habitantes, no Litoral a media chega quase aos 1500, dai que uma vila no litoral esteja integrada num concelho com 50 000 aqui estamos em concelhos de 10 000 onde o que resta nas nossas aldeias são a população envelhecida. é devido aos meios rurais desertificados do interior que esta região se encontram despida.
Agradeço desde já a Vossa Atenção.

Nunop