"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

31.5.06

Presidencia Aberta: Roteiro para a Inclusão e Contra a Pobreza



No âmbito da primeira presidência aberta, Cavaco Silva surpreendeu os autarcas com declarações concisas sobre as necessidades REAIS para o desenvolvimento integrado do país.
O maior responsável pela remodelação de equipamentos sociais em Portugal disse que as prioridades actuais passam pela intervenção social. Em concreto, pela inclusão social de jovens e idosos.
Por outro lado, referiu a necessidade de medidas estruturantes para a competitividade económica do interior do país.

Foi aqui que inovou: A competitividade portuguesa passa pela homogeneização do território, explorando as vantagens regionais das diferentes organizações. E, aliando intituições regionais ao vigor de outras mais competitivas, poderemos encontrar um caminho para sermos mais fortes.



Por outras palavras, o sucesso económico português passa por parcerias inter-regionais heterogéneas, permitindo a optimização de recursos humanos e financeiros. Além da partilha de conhecimentos!

A pergunta que se coloca é: Em que medida podem as Câmaras promover esses projectos, sem a utilização de MAIS recursos financeiros?

"Apimentando" um pouco mais: Que saidas profissionais pode esperar a "GERAÇÃO DO CONHECIMENTO" na BEIRA INTERIOR?

27 comentários:

al cardoso disse...

Parece que o futuro do interior, e a construcao de mais centros de dia e lares de terceira idade. Quem sabe podemos promove-los, e fazer campanhas para que os idosos das cidades, venham para o interior passar os ultimos anos. Sempre fujiam a poluicao ambiental e viviam um pouco mais, alem disso como ja nao estao em idade de parir, a falta de maternidade nao se ia notar.

Frederico disse...

:-)

De acordo.

E para agarrar os jovens no interior? Que ideias preconizas?

Anónimo disse...

Cursos de cuidados paliativos e para velhos, universidades da 3ª idade!

Ninive

Frederico disse...

Obrigado pela sugestão!

Mas achas mesmo que o interior deve ser apenas a 3ª idade, ou então a população activa a tratar dos mais velhos?

Achas impossivel a formação de empresas modernas no interior do País?

Estaremos condenados a tratar 3ª idade sem outras alternativas profissionais?!

irpara disse...

Que tipo de sociedade estamos nós a construir?

Frederico disse...

:-)

Excelente questão!

Vou responder-te com uma pergunta provocatória: Que sociedade queremos construir?!

Sofia Filo disse...

A questão passa por mudar mentalidades. Portugal é um Pais pequeno que olha para o interior como algo distante. Nada mais errado.
Tendo em conta a nossa dimensão, esta estranha relação entre litoral e interior é absurda.
Mais absurdo é o facto de muitas empresas escolherem determinadas localizações em Lisboa ou no Porto, que obrigam os seus funcionários a deslocações no interior das próprias cidades que podem demorar mais de 2 horas.
Isto significa muito tempo perdido, muitos gastos ambientais. Embora o custo do terreno a curto prazo tenha sido mais barato. Os custos para a comunidade são muito superiores.
Na minha opinião só com empresas socialmente responsáveis e integradas na comunidade, é que estas situações podem ser alteradas.
Como não conheço em Portugal nenhuma empresa com estas características, teremos de sensibilizar e formar os empresários para esta problemática.
Vai ser difícil dado que estes vão querer algo em troca. Normalmente começam a conversa com " o que é que meu banco ganha com isso" - " o que é que a minha empresa ganha com isso".

Frederico disse...

*****

Cara Sofia Filó,
A resposta ao seu comentário exige reflexão.
Tentarei fazê-la até ao final do dia.


Um abraço

Anónimo disse...

já ouviram falar em sun city no arizona ou na riqueza do estada da Florida nos states? Eles vivem do velhotes e arranjam trabalho para os novos levando velhotes para lá...
Falta visão e estratégia

Ninive

Frederico disse...

Caro Ninive,
Não conheço os exemplos que deu e acho muito interessante falarmos sobre esses casos...
A minha opinião é que não devemos procurar soluções exclusivas, isto é, não devemos pensar exclusivamente na actividade económica do turismo ou das residências "seniores" ou outras...
Julgo que a possibilidade de sucesso para uma região como a beira interior passa por iniciativas distintas para actividades económicas com sinergias entre si: Explorando o exemplo que deu, se tivermos residências para a 3ª idade poderemos ter boas taxas de ocupação hoteleira, fomentada pela visita dos familiares.

Tem dados concretos sobre "Sun City" e "Riqueza"? (nr. de habitantes; população activa; rendimento per capita etc.)

Um abraço

Frederico disse...

Sofia,
Sobre o seu comentário julgo que existem algumas premissas incontornáveis:
a) Os empresários funcionam em função do lucro. Imaginar algo diferente é demagogia.
b) Aos empresários é cada vez mais exigida a responsabilidade social. Só a adoptarão medidas de responsabilidade social e ambiental quando os consumidores valorizarem essa "marca". Até lá farão a "ginástica criativa". Quero dizer com isto, e valorizando o que escreveu, que a Beira Interior terá tudo a ganhar em trazer empresários para a sua região que tenham adoptado esses principios.
c) Até agora a lógica de implantação empresarial respondia à localização do mercado. As empresas estão em Lisboa e Porto porque é lá que estão os seus consumidores. Aqui a Sofia tocou no ponto chave. Mas esta lógica tem os dias contados: Se a Portugal Telecom tem o atendimento do 118 em Cabo Verde, onde a mão de obra é mais barata, porque motivo os serviços de contabilidade, de traduções, de atendimento técnico (telefónico) de gestão de contas correntes (para dar alguns exemplos) não estão localizados na Mêda, em Pinhel ou em Trancoso?! Quanto ganhariam os funcionários com as economias em combustivel, habitação, infantários e tempo para lazer? Provavelmente o suficiente para constituirem um bom "pé de meia" ao invés do endividamento bancário de que serão vitimas como todos os portugueses.

Para concluir, no momento em que o actual Presidente da República dá o mote sobre a interioridade, e tratando-se de um dos mais consagrados economistas portugueses, cabe-nos a oportunidade/responsabilidade da discussão e da consequente "exigência" ao poder local do cumprimento de medidas para a redução das assimetrias regionais.

É o que estamos a fazer, e com consensos estaremos mais perto de atingir os objectivos da redução de assimetrias.

Muito obrigado pela sua intervenção.


Um abraço


PS: Em que região vive? De que forma julgaria capaz de se mudar para a Beira Interior, ou no caso de já viver, que condições entende como necessárias para o seu progresso profissional?

Anónimo disse...

As minhas ideias de incentivo ao desenvolvimento do interior já foram amplamente explanadas noutros posts, mas aqui fica o resumo (+ uma vez!):
* Incentivos de Natureza Fiscal para quem decida habitar ou investir no interior (incluindo a Isenção da Derrama sobre o IRC)
* Construção de um parque empresarial e cedência dos espaços a investidores, mediante projectos atractivos e que fomentem o desenvolvimento económico-social do concelho.
* Parcerias entre instituições bancárias e autarquias.
* Aposta em industrias congruentes com a realidade da zona (incluindo o Turismo).
* Aposta em Mão de Obra qualificada.
* Aproveitamento exaustivo das vias de Comunicação Rodoviárias e Ferroviárias Existentes.
* Alocação de habitantes em aldeias despovoadas (à semelhança de Vila de Rei, mas Portugueses), mas só depois de criados mais postos de trabalho para garantir sustentabilidade.

São estas algumas soluções que apresento para combater o isolamento do interior.
Desafio os leitores deste post a apresentarem também uma lista de ideias, de forma a que haja uma troca de ideias, o que é sempre benéfico!
Saudações a todos!
VS

Frederico disse...

Muito obrigado VS pela participação.
Irei fazer no final da semana um resumo sobre todas a ideias debatidas.

Faço-lhe a mesma pergunta que elaborei à Sofia Filó: Em que região vive? De que forma julgaria capaz de se mudar para a Beira Interior, ou no caso de já viver, que condições entende como necessárias para o seu progresso profissional?

Nuno disse...

Uma das Sugestões que eu faria em primeiro lugar ainda antes da captação de investidores e investimentos seria: O não encerramento a serviços públicos quer de sáude quer de Justiça quer outros. O encerramento de Centro de Saúdes de Tribunais de Maternidades são medidas de incentivo à desertificação pois reduz uma boa parte de postos de trabalho e causaria uma movimentação em massa de quadros e recursos humanos. Segundo a Constituição todo o cidadão tem direito a serviços de saúde justiça etc, logo se estas medidas se concretizarem as gentes do interior têm moralidade para Pagar menos Impostos que os Outros, aqui o Iva também é 21% nos Açores quanto é? será que há assim uma diferença de rendimentos ? Caso se venha a concretizar estas e outras medidas serei o primeiro a apregoar. Vamos mas é todos daqui para fora!

irpara disse...

Qualidade de vida!
É certamente um conceito que ganha consistência à medida que as sociedades evoluem.
Os índices de desenvolvimento que comparam os países, as regiões, etc... contemplam vários indicadores: o famoso PIB, o numero de tv por lar, o nº de telemóveis por pessoa... tudo na base da quantidade. É tempo de avaliar o tempo que cada um leva desde que sai de casa até chegar ao trabalho. Qual o grau de exposição à poluição? Medir os níveis de stress a que a pessoa está sujeita. etc, etc... etc.

Com base nestas contas os gestores do nosso país poderão encontrar vantagens em sair dos grandes centros urbanos, ou não. As empresas já começaram a investir nos seus recursos humanos há um tempo para cá. Acredito que este investimento irá passar por criar melhores condições de vida aos trabalhadores.

Anónimo disse...

Olá Frederico!
Vivo na região de Lisboa, mais propriamente em Loures. A minha ligação a Trancoso deve-se ao facto da minha namorada ser daí natural. É frequente passar aí uns dias de férias durante o Verão.
Quanto à pergunta que me colocas, bem... não é nada que eu nunca tivesse pensado! Já me passou pela cabeça abrir uma filial de uma empresa de materiais de construção aí no concelho, se o projecto for viável, mas só daqui a uns anos. Também já me passou pela cabeça (e isso é um dos meus sonhos) comprar uma quinta velha nas redondezas, recupera-la e a partir daí fazer Agro-Turismo associado à produção artesanal de produtos regionais, nomeadamente lacticínios, enchidos, doces, vinhos, azeite e azeitonas. É verdade que já me passou isso pela cabeça! Mas de momento não me é possível... Há várias barreiras: família, pertences pessoais e o trabalho que desempenho, no qual tenho imensas expectativas. Claro está que precisaria de capital para investir... mas espero daqui a alguns anos ter estabilidade para prosseguir com esse projecto! Afinal estou em início de carreia (tenho 27 anos). No entanto, se alguém que leia este post detiver capital para avançar com o projecto e ache a ideia interessante eu não fico chateado!!! Sempre se criavam mais uns postos de trabalho e atraía pessoas ao concelho...propósito que vai de encontro à temática discutida neste post!
Saudações a todos!
VS

Sofia Filo disse...

Caro Frederico.
As empresas não mudam para o interior, simplesmente porque os seus principais quadros dirigentes bloqueiam esse tipo de iniciativas.Posso adiantar-lhe que a mudança do 118 não foi uma decisão PT, mas sim uma ordem polictica do Governo da altura.
Se o estado dêr o exemplo, muitas empresas podem ir para o interior.
Esta mudança poderia gerar uma dinâmica nacional, para acabar com o marasmo em que vivemos.Contribuindo para a falada retoma económica.
Seria relativamente fácil para a PT, Sonae ou Vodafone, mudar os seus Call Center's para o interior.Apenas não o fazem porque têm policticas de serviço e recrutamento que se baseiam numa constante rotatividade dos trabalhadores em regime de Outsourcing.
Ao mudarem para o interior não teriam a possibilidade de mudar constantemente de trabalhadores.
Acredite no que lhe digo,apesar da dimensão destas empresas, apesar da mensagem que tentam passar, os departamentos de RH são mediocres.Para além de não possuirem uma polictica de acompanamento de carreiras.
Tudo isto nos conduziria a uma mais longa conversa.Lamento não poder adiantar mais.No entanto considero que todos os que participaram neste debate, colocaram questões pertinentes.É pena que Portugal não esteja ainda pronto para os ouvir.Posso lhe dizer que fui contra a regionalizção.Considero que o pais é pequeno demais para mais burocratas.Mas julgo que a minha opinião está a mudar.Não porque o pais tenha crescido, mas porque os decisores policticos estão cada vez mais distantes.

Frederico disse...

Caríssimo Nuno, Magnífico proprietário deste burgo comunicativo!
Sobre o desinvestimento público temos duas alternativas: Ou aguardamos que nos desactivem os serviços, com mais ou menos protestos à mistura, ou exigimos medidas estruturantes ao poder local para incentivar o investimento privado na região. Com crescimento populacional, daremos um sinal ao poder politico que inviabilizará todas as lógicas economicistas de desactivação de serviços à comunidade.
Por outro lado, no respeitante à redução de impostos (informação também para o VS) o poder local já fez o que estava ao seu alcance: Isentou a derrama a todas as empresas.
O que eu tenho estado a apregoar é o seguinte: Temos um Presidente da República a afirmar, e passo a citar «Penso que a partir de agora as câmaras vão ser chamadas muito mais do que no passado a estimular a criação de empregos e no domínio do desenvolvimento social e no estímulo à fixação de empresas». Estas declarações criam condições ao Poder Local para reclamar junto dos Governos condições de exequibilidade de programas de angariação de empresas para o interior do país. E a nós, enquanto população, cabe-nos a tarefa de exigir essas medidas ao respectivo Poder Local!
Quero dizer com isto que não faz sentido exigir investimentos avultados ao Poder Local, porque o dinheiro não abunda, mas apoios aliciantes como a isenção do pagamento de IRC a empresas em àreas tecnologicamente avançadas por contrapartida de fortes investimentos em formação da população.
...E mais não digo neste momento!


:-)

Frederico disse...

Caríssimo "irpara",
Como sabes fico muito feliz por te ver a comentar aqui no Blogue e compreendo os motivos do anonimato.
Sobre o teu comentário: Durante décadas andámos a quantificar a melhoria das condições de empregabilidade em função do aumento anual de salários. Depois vieram os requintes como o subsidio para o telefone de casa, o carro de serviço e o telemovel! Como tu dizias, análises qualitativas!!!
Hoje a tónica está no teletrabalho e no nr. de dias permitido: Discute-se a possibilidade do trabalhador fazer parte do trabalho a partir da sua residência, um ou mais dias por semana. E desengane-se quem pensa que isso é só para empresas hi tech. Há 20 anos, a Imprensa Nacional Casa da Moeda, emprestava computadores transportáveis aos seus funcionários para fazerem a dactilografia dos decretos de lei nas suas residências!
Hoje, centenas de empresas em Portugal têm vinculos profissionais com teletrabalhadores. E a minha permanente questão é a seguinte: Porque não a Beira interior para call centers de grandes organismos? Etc, etc, etc...

:-)

Frederico disse...

Sofia,
Vou responder-lhe de forma sintética para não me repetir.
Já lhe expressei a minha convição de que as lógicas empresariais são as do lucro. Aliás, como dizia um amigo meu, os accionistas têm uma grande preocupação com as empresas onde investem: A ultima linha do quadro da demonstração de resultados "Distribuição de resultados por acção"!
Dito isto, e sabendo de antemão que a rotatividade "desejada" para os call centers se relaciona com a manutenção de baixos salários, posso deduzir que esse motivo não inviabilizará a transferências de serviços para a Beira interior. Isto porque o nivel salarial na região é inferior aos das grandes cidades. Os custos são menores e isso permite margem de manobra aos empresários. Sinceramente não me escandaliza. (Impressiono-me mais a ver um casal nas grandes cidades a sair de casa às 6.00 da manhã com filhos e a regressar às 9:00 da noite, porque tem que se sujeitar aos transportes públicos).
Sobre a qualidade dos RH limito-me a dizer que não é diferente da maioria dos gestores ou dos politicos. E sobre isso, para não haver excessos, quero dizer que a Beira Interior goza de bons politicos e que acredito por isso que venham a aproveitar esta deixa do PR.

Um abraço

Frederico disse...

Last but not least VS!
(perdoa-me alguma discontração, mas estou a responder a comentários há 2 horas e meia sem intervalos)
Por partes: Sobre a possibilidade de uma filial na àrea de materiais de construção não me parece um futuro risonho. Digo isto porque a crise nacional na construção civil ainda não chegou à Beira Interior mas não creio que demore! Isto porque a nivel nacional existem 1,4 casas por familia e face ao preço das mesmas e ao estado da economia só vislumbro miséria no sector: Queira Deus que esteja enganado.
Sobre a hipotese de Agro turismo devo dizer-lhe que acertou na "mouche". Trata-se de uma àrea de elevadissimo potencial e as necessidades de capital para um projecto desse tipo podem ser uma pequena fracção do que imagina. Isto porque o preço de quintas e terrenos é francamente baixo na região. A ordem de grandeza é de 500 contos por hectare em zonas rurais (obviamente mais pitorescas que os arredores imediatos das cidades beirãs, que insistem em copiar o pior dos arredores das grandes cidades.
A Beira precisa de turismo de qualidade e tem motivos culturais e patrimoniais para sustentar esse objectivo.

Um abraço e boa sorte!

Anónimo disse...

"Estas declarações criam condições ao Poder Local para reclamar junto dos Governos condições de exequibilidade de programas de angariação de empresas para o interior do país. E a nós, enquanto população, cabe-nos a tarefa de exigir essas medidas ao respectivo Poder Local!" e um comentario do frederico a um comentario do nuno.
por acaso sabem que existe uma "coisa" chamada PIDDAC? e sabam para que serve? e se deixassemos de andar a brincar e fizessemos alguma coisa mais direccionada, mais apropriada, mais participada?

Frederico disse...

Caro Anónimo,
Ocorre-lhe pensar que as iniciativas locais são definidas localmente e não pelo piddac que define grandes eixos de intervenção?!

Um pouco de humildade não lhe ficava mal.

Frederico disse...

Para os interessados: PIDDAC
Opções estruturais para o território nacional. Não aplicavel às iniciativas em discussão.

Sofia Filo disse...

Por favor tentem esquecer os outros.Esquecam mesmo o governo.
Tentem ser globais sem precisar de Lisboa ou de Bruxelas.
Reunam as estruturas do poder local e as empresas da regiao e "desenrasquem-se".
Muitas vezes nao e preciso gastar muito dinheiro se as ideias forem boas.
Os grandes negocios do nosso tempo iniciaram-se practicamente sem capital inicial.
E uma forma de nao depender dos outros, nem criar os chamados vicios de dependencia.

Frederico disse...

:-)

100% de acordo no que respeita a novas iniciativas.

Mas a decisão de manutenção das actuais infraestruturas depende de facto do governo.

Patrícia Geraldes disse...

Bom dia Frederico!
Bem esta discussão esteve animadissima, mas infelizmente não tinha podido passar por aqui. Mesmo hoje, foi a pedido especial que o fiz e já estou a contribuir para uma baixa na produtividade na minha empresa. As novas tecnologias também têm o seu lado mau!!! ;D
Quanto ao assunto em discussão, a mim é-me um pouco complicado direccionar o meu olhar para a região, porque, como sabes, eu vivo no Porto e poucos vezes vou a Trancoso. Ao nível do dia a dia, do quotidiano de trabalho, das iniciativas, oportunidades e barreiras sou praticamente desconhecedora.
Do meu ponto de vista, existe algo que a região não poderá perder nunca: exactamente a sua interioridade. E, antes que me ataquem ferozmente, deixem-me tentar explicar: a interioridade dá-lhe genuinidade e diferença e é em aguns casos atracção.
Acho que praticamente todos já concordaram que uma das áreas a desenvolver seria o turismo, preferencialmente rural, daí que a interioridade seja uma mais valia. E seria este factor que traria gente à região. Daria oportunidade aos mais velhos, porque muitos deles poderiam de algum modo participar (de borla, o problema financeiro estaria resolvido, ou em troca de pequenas grandes coisas como companhia e convivio) e emprego e incentivo aos mais novos. Por outro lado, a divulgação da região é essencial. Não existe quase nada, pelo menos na região do Grande Porto que referencie a região. Volta e meia vê-se visitas a amendoeiras e agora por causa do hotel também se vê promoções, mas mais nada. Como poderá atrair pessoas a visitar, a investir, a viver se não se conhece?
Outro aspecto referido e muito bem foi a existência/criação/permanência dos principais e essenciais serviços como a saúde e a justiça. Sem as necessidades básicas asseguradas, ninguém gosta de viver em nenhum sitio.
Não sei se concordaria na existência de grandes industrias, não acho que se deveria transformar a zona em complexos industriais, iria descaracterizá-la e transformá-la em mais uma entre muitas: ganhava-se empregos, perdia-se qualidade de vida!
Têm, a meu ver, que de algum modo mostrar às pessoas que a qualidade de vida pode coexistir com acessibilidade a bens e serviços e segurança.
É necessário, como tão bem referiste Frederico, saber exactamente o que se quer, para depois delinear planos de acção.
Resumindo, na minha opinião existem áreas em que é urgente concretizar acções:
* divulgação da região
* envolvimento da população mais idosa em projectos (não esperar que ela o faça, mas sim convidá-la, incentivá-la)
* assegurar as necessidades básicas
* apostar num determinado caminho, como por exemplo o turismo rural, e não dispersar em áreas que descaraterizem a região

E prometo que vou pensar mais um pouco para ser mais especifica em algumas questões que não desenvolvi, mas infelizmente hoje já não posso.
Fiquem bem