"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

27.10.06

“Casa da Prisca” fabrica produtos destinados à comunidade judaica

Doces “kosher” de Trancoso
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Depois da aposta feita na região ao nível da produção de vinho e de azeite destinados à comunidade judaica, uma empresa de Trancoso, a “Casa da Prisca”, iniciou a produção de doces e marmelada “kosher”.Os produtos com a marca “Delícias da Província” são apresentados na Feira de Turismo de Andorra (Espanha), que decorre a partir de amanhã até domingo, onde a empresa marca presença a convite da Região de Turismo da Serra da Estrela, entidade impulsionadora do projecto.De acordo com António Plácido Santos, responsável de Marketing e Produção da “Casa da Prisca”, a empresa produziu 22 mil unidades de doces e marmelada “kosher”, 500 anos depois do rei D. Manuel I ter decretado a expulsão dos judeus sefarditas de Portugal. A unidade foi escolhida para fabricar os produtos que são únicos a nível nacional e na Península Ibérica, “pelo facto de Trancoso ter sido um dos principais centros da história judaica sefardita de Portugal”, adiantou ao Jornal A Guarda o mesmo responsável. Numa primeira fase produzidas duas mil unidades de marmelada e igual número de cada um dos dez doces fabricados (abóbora, castanha, cereja, figo, pêssego, tomate, cenoura, morango, amora e framboesa), destinados a serem consumidos pela comunidade judaica.“Os produtos foram produzidos na nossa unidade industrial de Trancoso, segundo os preceitos e conceitos da religião judaica, sendo auditados regularmente pelo rabino da comunidade de Israel, responsável pelo projecto, que se deslocou duas vezes a Trancoso”, adiantou.António Plácido Santos explicou ainda que o doce “kosher” diferencia-se dos outros pelo facto de ser “um produto limpo, puro, respeitando os mais rigorosos padrões de higiene, não utilizando ingredientes artificiais”. “Somos obrigados a usar produtos cem por cento naturais e os nossos fornecedores também têm que ser reconhecidos com a certificação “kosher”, têm que ser igualmente limpos e puros no processo produtivo”, acrescentou, garantindo que até o açúcar utilizado na confecção das compotas, “é um açúcar especial, produzido especificamente para este tipo de produtos”. Por outro lado, referiu que as frutas utilizadas “são preferencialmente da nossa região e quando não o são, são provenientes de fornecedores reconhecidos pela comunidade judaica”.O empresário garantiu ainda que “há uma preocupação da nossa parte em que os produtos produzidos segundo o conceito da comunidade judaica, sejam sempre os primeiros do dia, porque é quando as linhas de produção estão mais limpas e purificadas”.Em relação às embalagens, revelou que “os doces são embalados em frascos de vidro de 240 gramas com selo de inviolabilidade e as marmeladas, em unidades de meio quilo, embaladas em atmosferas protectoras, também, com selo de inviolabilidade”. A intenção da “Casa da Prisca” é produzir os doces “à medida das necessidades, para garantir que o produto esteja o mínimo espaço de tempo fabricado e chegue ao consumidor o mais fresco possível”.Os mercados alvos dos produtos “kosher” produzidos em Trancoso são o nacional, o britânico, o francês e o norte-americano.O responsável de marketing e produção da empresa admite que tem “alguma expectativa” em relação ao escoamento dos produtos “kosher”, mas revela que interpreta a oportunidade “como um desafio” para a empresa criada em 1917. “Não entramos nesta nova actividade com a ânsia do lucro. Traz-nos alguns encargos adicionais que não iremos reflectir no preço do produto, porque a nossa missão é mais social do que económica”, disse o mesmo responsável da “Casa da Prisca”, empresa que se dedica à produção de enchidos, presuntos, compotas, marmeladas e doces tradicionais.As receitas dos novos produtos foram estudadas e desenvolvidas por Maria da Conceição Plácido, proprietária da unidade fabril, mediante estudos realizados em consonância com o rabino que acompanhou todo o processo de fabrico.
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Jornal "A Guarda"

2 comentários:

Jofre Alves disse...

A blogosfera é um mundo que partilhamos com objectivos marcados e sólidos, e que nos entra pela casa dentro.Neste blogue entro para a sala como convidado bem recebido e assisto, satisfeito e prazenteiro ao quanto de bom e belo se faz, sobretudo aqui. Ao despedi-me satisfeito desejo bom fim-de-semana.

trancman disse...

Boas ideias só podem dar bons negócios!