"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

16.1.07

Covilhã entre as 15 melhores cidades do país

O semanário "Expresso" classificou as melhores cidades portuguesas para viver em 2007. No topo do "ranking" destaca-se Lisboa, seguida de Guimarães e Évora, em igualdade com o Porto. Quanto à Beira Interior, a Covilhã é a primeira e aparece em 14º lugar, Castelo Branco está no 34º, surgindo a Guarda logo depois na 35ª posição. Um lugar pouco honroso, já que a seguir não existe nenhuma capital de distrito.
Durante quase dois meses uma equipa de jornalistas do semanário percorreu 50 cidades e classificou-as de acordo com 20 critérios de avaliação. Incluíram à partida todas as capitais de distrito do continente, além de Lisboa e Porto, Funchal (Madeira), Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada (Açores). Acrescentaram ainda um lote alargado de cidades de dimensão média para além destas, como Guimarães, Covilhã ou Caldas da Rainha, sem esquecer, por outro lado, as situadas abaixo da fasquia dos 17 mil habitantes, como Tomar, Lagos ou Chaves. «Não se trata de um trabalho científico, mas apenas jornalístico, o que não significa menos sério», explica Vítor Andrade, um dos autores do estudo. «Vale o que vale, mas é uma opção nossa, resultado da nossa sensibilidade e do nosso entendimento do país», acrescenta. O desempenho das cidades analisadas foram avaliadas através de critérios como as acessibilidades, sinalética, fluidez de tráfego, oferta cultural, espaços verdes, qualidade urbanística, comércio, relação com a água e a paisagem, equipamentos desportivos, estacionamento, segurança, animação nocturna, alojamento turístico, restauração, equipamentos sociais, património, governança e cidadania, capacidade de atracção estudantil, desempenho económico e qualidade dos espaços públicos.
Cada localidade recebeu uma pontuação de 0 a 100 em cada item. No final registaram-se alguns empates, pelo que o "ranking" chega apenas ao 40º lugar. Em primeiro lugar ficou Lisboa, seguida de Guimarães e Évora, em "ex-aequo", com o Porto. Na cauda da tabela encontra-se Amadora, Barreiro e Portimão. Já, as cidades da Beira Interior ficaram longe do pódio, só a Covilhã brilhou. A "cidade neve" alcançou a melhor pontuação das 40 cidades com a "capacidade de atracção estudantil". Apesar de estar no sopé da serra, a cidade ultrapassou «o estigma da interioridade com a criação da Universidade da Beira Interior, que cada vez atrai mais jovens de todo o país, que muitas vezes acabam por ficar quando terminam o curso», destaca o "Expresso". Mas a Covilhã também ficou bem classificada quanto aos equipamentos sociais (70), segurança (65), desempenho económico (65), e ainda em relação à oferta cultural, acessibilidades, espaços verdes, estacionamento e animação nocturna (60). Menos bem pontuado ficou o seu património, bem como a governança e cidadania, ambos com 35 pontos.
Na Guarda, as acessibilidades (70), fluidez de tráfego (65), a segurança, equipamentos sociais e o património (60) foram os critérios mais bem cotados. Em contrapartida, a cidade mais alta do país "chumbou" na animação nocturna (25), restauração (30), oferta cultural, espaços verdes, qualidade urbanística, equipamentos desportivos, e ainda, em governança e cidadania (35). Feitas as contas, a Covilhã alcançou 1.100 pontos, o que lhe valeu o 14º lugar, Castelo Branco obteve 895 pontos, ficando na 34ª posição, e a Guarda apenas 875 (35º), logo seguida do Fundão, que somou 860 pontos. Uma "proximidade" que deixa muito mal a capital do distrito face à "capital" da Cova da Beira.

O "ranking" não agrada a todos

Esta classificação não foi muito bem recebida pela autarquia guardense. Para Virgílio Bento, vereador com o pelouro da Cultura, «o estudo não tem validade científica», disse em declarações à Rádio Altitude, desconfiando dos critérios utilizados, dando como exemplo, «a oferta cultural» que na sua opinião foi pouco valorizada. Por sua vez, a Câmara da Covilhã já se congratulou com o resultado alcançado através de uma nota de imprensa. «A Covilhã supera todas as cidades do interior em termos de qualidade de vida e situa-se entre as 15 melhores do país», sublinha o comunicado. Acrescentando, que «comparativamente a Castelo Branco, Guarda e Fundão, a Covilhã destaca-se em quase todos os parâmetros usados». Por tudo isto, «o estudo constituí o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos diversos sectores ao longo dos últimos anos e de que todos os covilhanenses se podem orgulhar», conclui.

in O Interior, Patrícia Correia

5 comentários:

Vasco Simões disse...

Também li esse artigo na revista do Expresso e analisei o quadro em anexo. É um excelente artigo e fornece um bom ponto de partida para as entidades competentes analisarem o que está mal e o que pode ser feito para debelar os problemas. Se as autoridades competentes de cada cidade fizessem um estudo semelhante 2 vezes por ano e tentassem resolver os problemas identificados, certamente que a qualidade de vida seria bem superior.

VS
Vasco Simões

habitante da covilhã disse...

A "cidade neve" alcançou a melhor pontuação das 40 cidades com a "capacidade de atracção estudantil".

Se a Covilhã consegue isto, não quero imaginar as outras. Jovens ponham-se ao fresco que isto só tem noite para vos oferecer.

Frederico disse...

Caro Vasco,
Quero manifestar total acordo contigo quanto à análise periódica às condições de vida das suas populações e partilhar as minhas dúvidas sobre o estudo: Faz sentido que a melhor cidade para viver tenha perdido 9% da população nos últimos 6 anos? Será assim tão boa?
Será o estudo objectivo nos seus critérios?

Um forte abraço

Frederico disse...

Caríssimo homem das neves!
A malta vai para a Covilhã para viver o dia ou para curtir a noite?!

:-)

Vasco Simões disse...

Oiz!
Amigo Frederico, a meu ver essa quebra de população na cidade de Lisboa deve-se acima de tudo ao preço do m2 (todos sabemos que quanto mais andamos para o centro da cidade maior é o valor do terreno). A quebra de população deve-se essencialmente a este factor: a população envelhecida vai desaparecendo e a malta mais jovem não tem fundos para comprar uma casa dentro da cidade devido ao valor astronómico das habitações. O que é que acontece? Edifícios abandonados (Quando passares na Av. da República e seguires pela Fontes Pereira de Melo até ao Marquês de Pombal conta os edifícios abandonados. São às dezenas! Acredita!). Por outro lado a oferta nas áreas periféricas é bastante mais tentadora (eu dou um exemplo: um T3 no concelho de Mafra, que fica a cerca de 20 min. de Lisboa, via A8 a 120 km/h, custa aprox. 150.000 €, enquanto que na Alta de Lisboa, tradicionalmente conhecida pela zona da Musgueira e das Galinheiras, custa à volta de 200.000 €. Isto para nem falar do centro da cidade, ou num dos bairros típicos (um T3 na zona do Bairro Alto não fica por menos de 250.000 €, e sem vista para o rio!). É essa a principal razão da quebra de 9% na populção e deveriam ser tomadas mais medidas para incentivar os jovens a habitar e a dar vida à cidade (se o ritmo se mantiver, Lisboa vai ser a M/L Prazo uma cidade de escritórios e de edifícios abandonados).
Quanto à questão que me colocas, acho que Lisboa está acima da média de qualquer cidade nos parâmetros do estudo (havendo problemas de diversos tipos como é o caso do estacionamento e dos acessos e fluídez de trânsito). Não significa isto uma maior qualidade de vida... também depende de indivíduo para indivíduo. Para mim não dava viver em Lisboa...aprecio um estilo de vida mais pacato, mais calmo. Há pessoal que adorava e adora viver em Lisboa... um estilo de vida mais cosmoplita. É uma questão muito relativa e pessoal.
Quanto à objectividade do estudo, acho que as variáveis foram bem escolhidas, não me ocorrendo de momento alguma mais relevante a acrescentar. O que posso por em causa são os critérios por detrás da pontuação às mesmas variáveis... e isso pode ser uma questão que influência decisivamente o estudo. Todos sabemos que a Guarda tem mais estacionamento que Lisboa. Ok. Guarda - 45, Lisboa - 30. Porquê? Qual o critério? Nº Total de lugares de Estacionamento / Nº médio de carros a circular na cidade, ou a simples opinião do responsável pelo estudo?! Restaução: Lisboa 85, Guarda 30: Nº Restaurantes / População da Cidade, ou a pessoa que fez o estudo acha que Lisboa é melhor nesta variável e acabou?! E porquê 85 - 30 e não 75 - 25 ou 90 - 40?! É aqui que os resultados podem estar influenciados. Não digo que estão, mas podem estar... Como não é dado a conhecer o critério de pontuação de cada variável, é legítimo levantar a questão e incutir uma certa desconfiança. No entanto, não deixo contudo de defender que este documento é um excelente ponto de partida para identificar os problemas das cidades e que as mesmas o devem fazer periodicamente. Muito sinceramente, se fosse autarca de qualquer uma destas cidades solicitava ao Expresso a pontuação detalhada e critérios de classificação. A partir daí tirava as conclusões, verificava se o problema era real (caso não tivesse noção dele) e procuraria resolve-lo. Acho que não estaria a prestar um mau serviço aos munícipes... Mas como felizmente não sou... deixo a sugestão!

1 Abraço ao Frederico, ao Nuno e a todo o pessoal do blog!
VS