"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

24.1.07

Interrupçao Voluntaria da Gravidez




Já tinha decidido não comentar no blogue o referendo sobre a "Lei do Aborto".
No entanto, com o decorrer da pré campanha para o referendo, deixei de perceber se sou pelo "sim" ou pelo "não": Não me revejo no papel de assassino que o "não" tanto denuncia nem encontro na sociedade portuguesa medidas de apoio e suporte a familias carênciadas (seja a carência económica ou psicológica).

Mas há algo que sei! Para os meus filhos, quero que o estado corresponda com as suas futuras necessidades. Se existir uma gravidez indesejada, espero que o estado apoie economicamente/psicologicamente ou in extremis, na interrupção dessa gravidez. E que deixe de perseguir aquelEs que tiveram que escolher a pior via para não condenar ainda mais a sua existência.

...E se desejo isto para os meus filhos, também o desejo para os filhos dos outros.

Por isso, sem entusiasmo, digo: Assim, Assim!

PORQUE AMAR É NATURAL.

8 comentários:

EueEle disse...

Assino em baixo!

Maria disse...

Não assinando por baixo, e não te surpreendendo por não assinar por baixo, eu vou votar SIM.
O que eu não percebi é se vais votar ou se ficas em casa...
Beijo

Vasco disse...

É a questão que mais divide uma pessoa! Sim ou Não? É que Existem argumentos válidos de ambas as partes... É muito, muito díficil votar de consciência perfeitamente tranquila perante esta questão...

VS

Anónimo disse...

Vamos todos votar SIM.
Nao era para ir votar mas depois do que a Igreja anda a fazer nao podia ficar em casa .Como pode a igraja apelar ao nao quando a maioria dos padres com mais de 60 tem filhos (afilhados)
EU VOTO SIM

Frederico disse...

Caro Anónimo,
Entendi não "vetar" o seu comentário, mas entendo que TODAS as generalizações são injustas.

Existe da parte de diversas organizações de poder imensa hipocrisia a este respeito, não representando que todas o pratiquem.

Quando decidi publicar este post corri o risco de ter opiniões mais impulsivas, como agora se verifica. Pedimos a todos os comentadores de queiram participar que não retirem a este assunto a dignidade e respeito que merecem.


Obrigado

Canecão disse...

O problema do Sim ou Nao passa pela inexistência de informação sobre o que será o futuro depois do Sim...A mim parece-me que o aborto ate determindado momento deve ser "permitido", no entanto ja nao concordo com o facto de neste momento eles irem ser relaizados em hospitais publicos custeados pelo estado, se temos as filas de espera que temos o que sera no futuro? Ha outras coisas que devem ser limitadas, como por ex. o nº a fazer por pessoa, etc. Apesar de concordar com o "Sim", nao concordo com a realizacao deste referendo, pelo simples facto de se ter realizado nao ha mts anos e nao se ter verificado nenhuma grande alteração na nossa sociedade desde entao. Parece-me que é um querer aprovar o sim á força, para isso deviam faz~e-lo directamente na AR e ponto final.

josnumar disse...

A Igreja é muito mais do que padres, bispos e freiras.
A IVG até às 10 semanas? E porque não até às 11,16...?
As pessoas dão-se conta de que se a mãe de cada um de nós tivesse optado pela IVG nós não estaríamos com este dilema?
Expliquem-me porque razão se deve interromper uma gravidez, por opção da mulher(mãe, namorada, adolescente...prostituta, carteira, médica, professora, cozinheira)e não pensaram homem e mulher antes de se babarem com uns minutinhos de amor, de sexo, de prazer? Porquê não deixar a criança nascer? Quem sabe se não será um arquitecto, um engenheiro, uma médica, uma mãe que terá mais filhos e a nossa sociedade continua a crescer e a tornar-se mais humana. Essas vidas ninguém sabe o que podem fazer durante as suas vidas.
Coitado do Beethoven, se a mãe dele, depois dos oito filhos que já tinha, sem contar com três surdos, dois cegos e um deficiente mental...logo o último deu num dos maiores músicos da História da Música....

A vida humana é inviolável meus senhores.
Mas o nosso Estado com as leis que tem e as que quer aprovar vai acabar por dar mais uma machadada na renovação do nosso país.

Vasco Simões disse...

Caro Jusnomar:
De facto a vida humana é inviolável. É assim que tu pensas e que muita gente pensa. Até aqui estamos de acordo, mas se prestares bem atenção à lei actual, com toda a certeza que repararás que é uma lei injusta que afunda ainda mais as classes desfavorecidas. Uma mulher que tenha dinheiro vai ao estrangeiro (Espanha) fazer a IVG (e se for preciso depois anda na campanha pelo NÃO, mas pronto, isso agora não interessa). Uma mulher sem fundos e que sofra pressões para abortar vai ter com uma "curiosa" que lhe poderá deixar mazelas para o resto da vida. Vê bem as coisas: existem milhares de abortos clandestinos (estimam-se 18.000 em Portugal) e vão continuar a a haver. A actual lei fomenta isso, infelizmente! E outra vertente da questão: acreditas que alguma mulher goste de abortar?! Não achas que sofre pressões de familiares, namorados, etc?! Uma mulher se for pressionada a fazer a IVG vai faze-la. Não tenhas dúvidas disso! Holanda e em Espanha por exemplo, têm uma lei mais REALISTA que a nossa, que é uma lei HIPÓCRITA.
Até aqui tenho andado divido, mas cada vez mais pendo para o SIM. Afinal a actual lei NÃO RESOLVE o problema (abastadas abortam em Espanha, Pobres abortam na clandestinidade). A realidade pura é esta e mortes ou danos irreversíveis provocados por momentos menos bons podem ser evitados.


VS
Vasco Simões