"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

8.6.06

Alcoolismo: "Tenho o raio de uma doença que me diz que nao sou doente*"



O ALCOOLISMO é um problema em qualquer parte do mundo: A região da Beira Interior não está isenta do mesmo.
Existem dezenas de definições para diferenciar um "consumidor ocasional de bebidas alcoólicas" e um Alcoólico.
Para mim, a mais simples é a seguinte: Considera-se alcoólico todo o individuo que esteja dependente do consumo de bebidas alcoólicas para conseguir desempenhar as suas tarefas diárias. Geralmente consome em privado e não em lugares públicos.

O Centro Regional de Alcoologia de Coimbra (CRAC) identificou no Distrito da Guarda 26370 consumidores excessivos, sendo 21120 alcoólicos crónicos. Note-se portanto que 4 em cada 5 consumidores têm a classificação de "alcoólicos crónicos", sendo que todos os consumidores excessivos se considerarão apenas "consumidores frequentes" de bebidas alcoólicas.

Aliás, quando um alcoólico reconhece a doença, tem 50% do tratamento percorrido...

Desde o inicio da actividade do CRAC, foram internados para recuperação 1285 doentes alcoólicos dos quais 618 são do concelho da Guarda. Segue-se Pinhel com 70 doentes, Celorico da Beira, 68, Sabugal 56, Almeida 52 Seia e FCR com 43, Trancoso 42, Foz Côa 39, Gouveia 33 Manteigas 21, Mêda 20, Fornos de Algodes 17 e Aguiar da Beira 7.

Mas para mim, o mais preocupante é ouvir alcoólicos em tratamento a dizer que "O médico diz que uma cervejinha de vez em quando não faz mal!". Deduzo que não exista nenhum médico em Portugal a fazer tal afirmação. Isto porque qualquer consumo de bebidas alcoólicas ou OUTRAS SEM ALCOOL MAS COM O MESMO SABOR, são o suficiente para activar todo o mecanismo de consumo dependente de tal substância. Para os interessados nesta temática, pesquisar em o cão de Ivan Pavlov.

*O titulo escolhido para este post é da autoria de um alcoólico anónimo da região de Lisboa.

Termino este post com um outdoor da campanha de prevenção rodoviária no Brasil.

13 comentários:

Anónimo disse...

Caro Frederico

Os seus textos têm me espantado, nem parece de cá, isto é, de Trancoso. Você bebe ou não bebe. Eu tenho fraca bebida, significa que se bebo, fico fácil. bom, o que queria dizer é que enquanto os portugueses não meterem na cabeça que o consumo exagerado e continuado de bebidas alcólicas ou de outras substâncias que minam o nosso organismo, nós tornamo-nos "addicted" dessas substâncias. O que vale para o álcool, vale para as drogas, para os cigarros, bungee jumpin', bom este talvez não, mas também não faz lá muito bem.
Os jovens od interior estão impregnados deste mal e os do litoral também, até quando fechamos os olhos e esqucemos a famosa frase daquele famos senhor velhinho que zelou por nós durante tantos anos: "o vinho dá de comer a dez milhões de portugueses". Bom já para não falar as famosas "sopas de cavalo cansado". continuem, bebam e depois falem com o vosso médico, com a vossa bexiga, com o vosso fígado, com as vossas mãos a tremer, com o vosso corpo a tremer a pedir e pensar única e exclusivamente nele...

Chuss

ninive

Frederico disse...

:-)

Tal como os emigrantes, estive fora muito tempo. Cheguei a Trancoso no último dia de Junho do ano passado! (Será que o Nuno paga um copo no primeiro aniversário?!)
Eu, tal como os alcoólicos, acho-me um "bebedor ocasional". A única diferença que tenho em relação aos alcoólicos é que não bebo para esquecer ou ganhar coragem. Bebo se tiver companhia. Apenas e tão só!
Quanto à má educação para o consumo de vinho, só posso lamentar: O consumo de bebidas alcoólicas é contra indicado para qualquer criança ou adolescente...
Sobre o termo que utilizaste, o addiction, aprendi-o recentemente numa casa de tratamento, cujo método aplicado era o MINESOTA. Trata-se do método oficial de tratamento nos EUA composto por DOZE PASSOS. Nos casos de dependências ligeiras como o alcool, são percurridos apenas os três primeiros passos.

Vou voltar ao tema num post!


Um abraço

Frederico disse...

"percorridos"!

Que vergonha!


:-(

al cardoso disse...

Embora nunca tivesse sido o que se chama "alcoolico" ja na minha vida de meio seculo apanhei para ai umas quatro ou cinco bebedeiras e nao foi nada bom, posso garantir-vos, para alem disso so bebia um copo com companhia. Nos ultimos 20 anos, tenho estado a beber cada vez menos, e presentemente por um problema que nao esta em nada relacionado com o alcool, deixei completamente. No entanto creio que uma bebida a refeicao nao so nao faz mal, como pelo contrario tem alguns beneficios.
Adoro saborear um copo de bom vinho, e embora o meu medico diga que nao devo ingerir nenhuma quantidade de alcool, na minha proxima visita a Beira, nao sei se resistirei a um bom vinho do Dao.

Frederico disse...

:-)

Se médico diz...

nefertiti disse...

Frederico,
Gostei muito deste post!
O álcool é sem dúvida uma droga e a sua prevenção é pouco notória. Este tema deveria ser levado mais a sério!

Frederico disse...

:-)

Muito obrigado pela visita!
O assunto do alcoolismo sofre de grandes males: Por um lado os alcoólicos acham na maioria que não o são. Por outro é culturalmente "aceite".

Vamos ver que volta lhe podemos dar para lançar o debate nas terras da Beira.

Um abraço

Anónimo disse...

Achei muito interessante a pesquisa recomendada acerca de Ivan Pavlov!
Obrigada e que a tua vinda para a Beira faça a diferença! sucesso

nefertiti disse...

Em cima sou eu.

Frederico disse...

...E em baixo, eu!


:-)

nefertiti disse...

:-»

Anónimo disse...

O alcolismo em Portugal tem um historial problemático, por norma sempre que se fala em problemas com alcool há alguém que ouve e pensa: este gajos querem acabar com a minha produção ou com o sato líquido. O problema do alcool é muito mais vasto do que isso.
Em que casa é que somos recebidos com um sumo natural de laranja fresco? Não, na minha terra é com jeropiga e com um vinho tinto caseira que é pior que surrapa, mas que insistimos em dizer que é encorpado e frutado.
Eu gosto de vinho, mas sei quais são osmeus limites, mas será que as outras pessoas sabem?
Quando é que acabamos com os super-heróis bebedores de álcool? Quando é que acabamos este tipo de heroísmo tipicamente nacional?
Sei que vão dizer que lá fora é igual.. mas deixem que lhes diga, eu quero é que os outros se lixem, aquele rapaz e aquela rapariga que foram criados comigo, onde estão quando vão para casa? nas suas adegas particulares a bebericar um vinhinho, e os pais aceitam com orgulho tamanha ousadia, porque eles também o fizeram.
Quando é que paramos para dizer não...

Chuss

Ninive

Frederico disse...

Mais uma vez obrigado pela partcipação Ninive.

É um problema que levará mais do que uma geração a resolver...