"Se pensas que és pequeno para fazer a diferença... tenta dormir num quarto fechado com um mosquito."
Provérbio africano, no editorial da revista "Recicla"

19.6.06

PT cria 700 empregos em Castelo Branco


"O Grupo Portugal Telecom vai abrir em Castelo Branco um centro de atendimento que abre portas à criação de cerca de sete centenas de postos de trabalho. Um acordo recente com a câmara albicastrense permite não só o avanço deste empreendimento como o arranque das obras de rebaixamento do actual edifício da empresa na cidade, no âmbito do Programa Polis.
Uma dupla-operação que a edilidade recebe de braços abertos.


A Portugal Telecom e a Câmara de Castelo Branco vão assinar na próxima semana um protocolo que vai abrir portas à instalação de um centro de atendimento (call center) daquela empresa na cidade albicastrense. Um equipamento que logo à partida garante a criação de cerca de sete centenas de postos de trabalho, uma vez que é uma estrutura que irá funcionar durante 24 horas com 266 posições de atendimento.
De acordo com aquilo que “Reconquista” conseguiu apurar, os “call centers” são centrais onde as chamadas são processadas ou recebidas e que tanto podem estar ao serviço da própria Portugal Telecom como de outras empresas a quem esta presta serviços. Aliás, este factor é considerado hoje em dia por diversos especialistas como “uma ferramenta altamente competitiva, em segmentos como telemarketing, vendas a retalho, serviços financeiros, pesquisas de mercados e tratamentos de inquéritos, entre outros”. Com diversos “call centers” espalhados pelo país (em cidades como Porto, Coimbra, Évora ou Bragança) o certo é que o de Castelo Branco vai ser o maior fora de Lisboa e a importância desta operação vai fazer deslocar à cidade albicastrense o actual presidente executivo da PT, Miguel Horta e Costa, para se sentar à mesa com os responsáveis autárquicos locais. Em reuniões prévias com o presidente da câmara Joaquim Morão ficou tudo acertado para a instalação deste centro em Castelo Branco, bem como os procedimentos a tomar daqui em diante para o rebaixamento do actual edifício PT na cidade, uma obra envolvida na operação Polis que ainda decorre. Segundo apurámos, essas obras no edifício não condicionam a abertura do “call center”, uma vez que pela sua dimensão este equipamento será colocado em funcionamento noutra zona da cidade. A câmara, segundo confirma ao “Reconquista” Joaquim Morão, está ainda a equacionar qual o melhor local para o instalar, dentro dos equipamentos que tem disponíveis em zonas centrais da urbe albicastrense.
A importância dos “call centers” Numa altura em que as novas tecnologias são avidamente disputadas como armas de competitividade entre empresas, e até entre cidades, a criação deste centro em Castelo Branco vem criar diversos impactos positivos na região, sendo o mais visível à partida, como atestam várias fontes, o do número de postos de trabalho que fixa na cidade. Os próprios responsáveis da PT Contact (empresa do Grupo PT que explora este mercado), num jantar que decorreu com empresários da região na passada semana (ver peça ao lado) destacavam a sua actualidade como “sendo locais onde se disponibiliza a melhor tecnologia de última geração para agilizar e operacionalizar as acções ali desenvolvidas”. Na prática, hoje em dia, já muita gente entrou em contacto com centros deste género, sem o saber, porque quando se telefona para a PT ou para outra empresa na realidade a pessoa não sabe se o atendimento está a ser feito naquele local ou num centro de atendimento especializado. “Podemos criar valor aos nossos clientes”, refere um responsável da PT Contact, “fidelizando e melhorando os níveis de interacção com os seus clientes”. Ou seja, para além de servir a própria estratégia da PT, “se uma outra qualquer empresa quiser nós podemos trabalhar para ela e inclusivamente instalar um centro de contactos dentro das suas próprias instalações com material e pessoal nosso”.
Para Joaquim Morão, esta operação com a PT é duplamente feliz para Castelo Branco. Cria emprego e concretiza a aspiração há muito desejada de resolver a questão do edifício da empresa nesta cidade, considerado unanimemente como um mamarracho. “Empenhámo-nos bastante nesta dupla-operação, sobretudo nesta nova questão do «call center» já que vai certamente gerar fixação de pessoas e mais desenvolvimento numa área de futuro”, refere o autarca, acrescentando que “temos revolucionado a cidade em muitos aspectos, temos contribuído para a criação de emprego, mas pela sua dimensão este é um empreendimento que vai deixar uma marca muito positiva”.
A resolução da questão do edifício merece-lhe também uma palavra:
“recentemente apresentámos em Assembleia Municipal a solução final para aquele espaço que vai rebaixar o edifício e requalificar a praça envolvente, ficando a cidade a ganhar uma nova zona”. A concluir adianta que “este é um excelente acordo para Castelo Branco e para a própria empresa”.
José Júlio Cruz"

Fonte: Reconquista

10 comentários:

Anónimo disse...

Esta notícia é muito boa para Castela branco e para toda e a beira e zona circundante. Permitirá, provavelmente, que postos de trabalho de Licenciados e jovens com 12º ano sejam abertos, reduzindo ligeiramente o número de desempregados destas zonas. Pois face ao número crescente de fábricas a fechar, este pode ainda ser um balão de oxigénio para alguns, evitando que o interior fique ainda mais desertificado que já é e será.
Os leitores deste blog não se iludam, isto só é possivel porque a câmara de Castelo Brancoso é PS e porque o nosso primeiro até é da zona.
Convem dizer que o Sr. Morão já foi considerado o melhor autarca do país. Se calhar até faz os deveres dele...

Chuss

Ninive

Frederico disse...

Olá Ninive!
A concretizar-se a descentralização deste call center, o país vai perceber que as organizações estarão onde lhes for economicamente confortavel.
E, neste aspecto, o interior terá que oferecer mais que o litoral para ganhar essa batalha.

al cardoso disse...

E muito bom, mas gostaria muito mais de ver, as empresas a investir em vilas e cidades mais pequenas.
Mas se calhar o problema e dos autarcas!

Frederico disse...

:-)

Esta iniciativa tem duas vocações:
A primeira é a da empregabilidade qualificada; A segunda é a dinamização do conceito de inclusão.
Depois de tudo o que já disse e escrevi sobre o tema, acho que é o momento de pôr as mãos à obra...

Nuno disse...

Vivam !
As cidades médias tipo Castelo Branco, Viseu , Guarda e Covilhã não sofrem de um problema de desertificação e exodo de pessoas qualificadas , semi-qualificadas ou não. segundo os censos esses concelhos alem de aumentarem a população ( Guarda quase +20%) são consideradas como Oásis da beira Interior. Penso que nas pequenas vilas e cidades é que se precisava de investimentos do genero.

Nuno - Trancoso.pt.vu

Frederico disse...

:-)

Achas mesmo que Trancoso, Fornos ou Aguiar da Beira tinham condições para um projecto desse tipo?!

Nuno disse...

Tal como Castelo Branco desses 700 pessoas apenas uns 50% serao do concelho, o resto será absorvido de outras localidades e até da própria PT vindo de cidades como Lisboa. Não digo assim um projecto desses com 700 lugares mas dadas as vias de comunicação que o interior também começa a ter a descentralização pode também ser um contributo para a anti-desertificação.

Frederico disse...

Nuno,
Na minha opinião, o grande instrumento do interior para combater a desertificação é a banda larga. Isto porque permite a qualquer trabalhador que esteja o dia todo a trabalhar sobre um computador pessoal, a oportunidade de o fazer em qualquer parte do globo...

Anónimo disse...

Sr. Frederico,
Parece-me que volta a tocar num assunto interessante - o "e-work", ou teletrabalho. Há uns anos, uns amigos oriundos da grande cidade, diziam que quando o teletrabalho fosse realidade eles iam para perto do mar ou da montanha. Eles eram programdores, informáticos, engenheiros, contudo os anos passaram e eles contuinuam "confortavelmente" em Lx no meio da fumarada e do "IC19". Banda larga é uma solução, mas se não uma houver uma alminha que ponha em prática e demonstre com marketing ao mundo que é possível, nada se fará.
A realidade é simples, os centros de decisão e estratégicos ainda estão perto das grandes cidades e infelizmente ainda não muito perto de "médias cidades" como Guarda, Covilhã, Castelo Branco. Estas são interessantes, mas são reféns dos serviços do estado e de escolas politécnicas pouco incisivas.
O problema é muito mais complexo do que podemos julgar.
Nenhum CEO de qualquer grande empresa vem para uma terra como Covilhã ou Castelo Branco, ele quer estar no meio da guerra e não mpode deslocar as suas tropas para a retaguarda...
Não se esqueçam, o problema hoje e sempre não é a capacidade, mas a vontade.

Chuss

ninive

Frederico disse...

:-)

D. Ninive!
"O problema não é a capacidade mas sim a vontade", tal como referiu...
E a vontade empresarial é cada vez mais a racionalização de custos.
E aqui o interior ganha pontos!
O e-work está a crescer, e é cada vez mais uma solução global.
No entanto, tem evoluido de uma solução Home-office para uma solução de telecentros. Isto porque está provado que nem todas as pessoas conseguem trabalhar em casa.