
O essencial da recomendação estratégica passa por tentar implementar, em Portugal, uma política de coesão: no essencial, seguir uma orientação de discriminação positiva em benefício de todas as regiões cujo índice de poder de compra «per capita» não exceda 75% da média nacional. Procurou-se fugir à fragmentação de uma análise concelho a concelho. Daí que a questão tenha sido colocada ao nível das dezoito regiões relativamente homogéneas que foram analisadas. Decidiu-se, mesmo assim, beneficiar identicamente concelhos que, em regiões que excedem os 75% da média nacional, ficam eles próprios aquém desse valor.
As medidas que decorram desta orientação global devem aplicar-se, por igual, a todos os concelhos incluídos no «mapa do Portugal menos favorecido».
Uma das conclusões do trabalho realizado é que a realidade portuguesa mudou nos últimos anos.
Ancorado em investimento público, com realce para a importância do ensino superior, o interior português viu consolidar-se um conjunto de centros urbanos de média dimensão (Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Covilhã, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja) cujo nível de vida é bastante mais elevado do que o observado em algumas zonas do litoral.
A situação de maior fragilidade encontra-se numa zona de transição, sem densidade institucional, de que constituem expoentes o Tâmega e os Pinhais Interiores. É aí que Portugal mudou menos: os 550 e os 183 mil habitantes do Tâmega e dos Pinhais Interiores têm taxas de urbanização de, respectivamente, 7% e 0%.
No litoral, as situações de maior fragilidade encontram-se no Centro e no Norte do país, naquelas áreas onde veio a prevalecer um modelo de industrialização assente em níveis de qualificação e de remuneração muito baixos. Acresce que, em alguns sectores de actividade (gamas mais baixas das indústrias têxtil de confecção e do calçado e indústria do mobiliário), este modelo industrial se encontra muito ameaçado pelo processo de globalização.
Fazer evoluir (qualificar) as empresas destes sectores que reúnam condições mínimas para o fazer e diversificar a actividade económica local, por atracção de empresas de maior intensidade tecnológica, constitui a orientação recomendada, podendo envolver medidas de elevado grau de discriminação e de voluntarismo."
Daniel Bessa
Responsável pelo Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos
In Expresso 04.10.2003
6 comentários:
Desculpem mas fico com azia quando oico os antigos governantes a opinar sobre estas coisas.
Tenho vontande de lhes pedir que devolvam o ordenado que lhes pagamos enquanto la estiveram.
Especialmente os alegados economistas de "esquerda" que continuamente defendem a banca.
Ja li alguma coisa que este senhor escreveu, fico com vontade de comecar a ir a igreja para que ele me benza.
Tal como o Rui Costa foi um excelente jogador que nunca conseguiu aprender a rematar para a baliza, tambem este senhor e um economista que nunca vai aprender a compreender a globalizacao.
Espero que compreendam mas nao gosta deste tipo de pessoas.
Permita-me que discorde Sofia. Somos mulheres, críticas, sabemos que este senhor tem uma visão reduzida do problema, diria mesmo que parece branquear de alguma forma a situação, contudo teremos que começar por algum lado...como é hábito em Portugal. Não não começamos bem nem acabamos, é voltar constantemente ao ponto de partida, seja ele qual for, pelo menos é o que nos dizem.
Chuss
ninive
P.S. A minha aldeia está cheia de índios, será que os k vão lá para fora voltam piores...
O problema aqui não é haver muitos índios na aldeia de ninive, mas sim haver neste país demasiados caciques para tão poucos índios...
Só agora lí os comentários.
Não sei se é da hora mas escangalhei-me a rir com os mesmos.
Portugal precisa de poucas coisas. Entre elas:
a) Que se compreenda a participação que o interior possa ter na economia nacional, em concreto, na melhoria da equação produtividade/custo da mão de obra
b) Estratégia nacional para a competitividade económica. Temos que reduzir "gorduras" e melhorar "formosuras": Em sintese, menos "loucuras"
(Face à globalização económica, temos que melhorar as áreas em que somos competitivos e esquecer estratégias ultrapassadas como a industrialização ou a dinamização da economia através de investimentos públicos)
A actual conjuntura politica permite medidas corajosas de dinamização económica: Estaremos 3 anos sem eleições e PR e governo estão sensibilizados para introduzir novas lógicas para esse projecto.
Se o meu comentario causou satisfacao e bom sinal.ja participei em diveras conferencias onde uns senhores engravatados, chegam, anafam-se nas cadeiras atiram uns bitaites, e uma data de yuppies engravatados batem palmas, e papam um almoco.
No final tudo fica na mesma.
Conheco muita gente que nao tem este tipo de atitude.Acabaram por abandonar as grandes empresas onde trabalhavam e tinham responsabilidades, criaram o seu negocio e hoje sao mais felizes.
O que mais me preocupa não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos,
nem dos desonestos,
nem dos sem caráter, e
nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
"Martin Luther King"
Enviar um comentário